Syriza é o primeiro partido antiausteridade da zona do euro.Crise econômica da Grécia impulsionou popularidade de partido.

Na noite deste domingo (25), o primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, do partido Nova Democracia, reconheceu a vitória do partido de esquerda Syriza nas eleições legislativas. “O povo se pronunciou e respeitamos sua decisão. Eu tenho plena consciência”, disse o político.

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A eleição de um partido que vai contra as medidas de austeridade em vigor no país pode gerar nervosismo no mercado financeiro e analistas falam em um possível confronto entre a Grécia e o restante da União Europeia. Saiba mais sobre a história do partido Syriza e sobre as mudanças que sua eleição pode provocar na Grécia:

Fundado em 2004
O Syriza, ou Coalizão da Esquerda Radical, foi fundado em 2004. A popularidade de seu líder, Alexis Tsipras, parece ser impulsionada pela crise econômica que, nos últimos cinco anos, empurrou um quarto dos trabalhadores gregos para o desemprego.

O atual governo implementou uma série de medidas de austeridade (como aumento de impostos e cortes de gastos), seguindo um script imposto pela União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu em troca de um pacote de resgate para a economia grega.

O primeiro-ministro Samaras insistiu em sua campanha que, apesar dos inconvenientes causados por essas medidas, a Grécia está conseguindo equilibrar seu orçamento e sua economia tem mostrado sinais de recuperação. Mas a classe média ainda se sente maltratada e empobrecida pelos anos de austeridade.

Primeiro partido antiausteridade
O Syriza surgiu como o primeiro partido antiausteridade da zona do euro. Com sua eleição, não só a Grécia pode ser lançada em um mar de incertezas como outros partidos de extrema-esquerda europeus podem ganhar fôlego (como o Podemos, na Espanha).

Nascido como uma coalizão de treze grupos e partidos que inclui maoistas, trotskistas, comunistas, ambientalistas, social-democratas e populistas de esquerda o Syriza tinha pouca força eleitoral até 2012. Em seus primeiros oito anos, a agremiação nunca conseguiu obter mais que 5% da preferência do eleitorado nas urnas.

Nas eleições gerais de 2012, porém, com o aprofundamento da crise econômica na Grécia, levou 27% dos votos, passando os sociais-democratas para se tornar a segunda força política da Grécia e a principal voz da oposição.

No que diz respeito a suas propostas políticas, o Syriza não só se opõe ao resgate internacional da Grécia e às medidas de austeridade como quer renegociar parte da dívida grega.

Essas promessas têm gerado nervosismo nos mercados financeiros e já se especula sobre uma possível saída da Grécia da zona do euro. De acordo com o correspondente da BBC na Grécia, Mark Lowen, muitos no país parecem dispostos a dar uma chance a Tsipras.

Outros, porém, acreditam que uma vitória do Syriza poderia aprofundar a crise no país e levar a um confronto entre a Grécia e a União Europeia.

Tsipras, um líder político jovem (tem 40 anos) e carismático, foi fundamental nessa transformação do Syriza. Conhecido por seus discursos empolgantes e sua aversão a gravatas, ele assumiu a liderança do partido em 2008 e foi eleito para o Parlamento em 2009.

“A crise econômica e o colapso dos partidos tradicionais certamente ajudaram a aumentar a influência do Syriza, mas foi Alexis Tsipras que catapultou o partido”, explica Christoforos Vernardakis, professor de ciência política da Universidade Aristóteles de Salonica e fundador do instituto de pesquisas VPRC.

“Isso aconteceu porque Tsipras é jovem e não parece ter medo. Ele pegou uma esquerda que estava na defensiva e a transformou em uma opção crível para o governo.” Para seus simpatizantes, Tsipras é um líder nato, que trata com respeito quem está a seu redor. “Ele gosta de processos e decisões coletivas”, diz Samanidis.

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Fonte: G1

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