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Por si só, o termo “genérico”, já passa a ideia de algo geral, sem referência. O que pode explicar, em parte, a dúvida na hora de trocar um medicamento de referência ou de marca, como também é chamado, prescrito em uma receita médica por um da classe dos genéricos. E mesmo depois de 22 anos desde que a lei foi criada no país, implementando uma política pública nacional de acesso a tratamentos medicamentosos no país, com preços até 35% mais acessíveis, esse receio pela troca ainda persiste. Uma das explicações mais plausíveis para isso continua sendo a falta de conhecimento de grande parte das pessoas sobre o que é um remédio genérico e sobre a certeza de que ele é sim um medicamento seguro.

Alheia às dúvidas da população, no entanto, a indústria farmacêutica continua a trabalhar seus preços em altos patamares. No último mês de abril, por exemplo, portanto em meio à crise econômica e sanitária vivida no país, passou a valer novos preços dos medicamentos no Brasil, reajuste esse aprovado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) que alcança até 10,08%, dependendo da classe terapêutica.

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Mas em meio às altas nos preços, o mercado brasileiro continua a disponibilizar produtos mais em conta. De acordo com a Fiocruz, no Brasil existem mais de 400 princípios ativos já registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). São quase 30 classes terapêuticas para combater as patologias mais frequentes nos brasileiros e grande parte das doenças crônicas.

Para a farmacêutica do Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), Marcela Zanela, optar por um medicamento mais caro, mesmo tendo uma opção mais conta disponível no mercado, decorre especialmente da falta um esclarecimento mais efetivo sobre o tema. “Ainda existe um desconhecimento muito grande por parte das pessoas acerca dos medicamentos genéricos, que têm as mesmas características de um medicamento de marca e, portanto, com os mesmo efeitos terapêuticos”, ressalta.

De modo geral, os genéricos “são medicamentos que apresentam o mesmo princípio ativo que um medicamento de referência, que a patente deixou de estar em vigor, perdendo assim, a exclusividade de um laboratório e sendo possível a fabricação da versão genérica”, resume. Sem a patente, as formulações podem ser usadas, sem a necessidade de se refazer todos os testes realizados no início, por que eles já foram feitos anteriormente. “Isso acaba deixando o custo da produção mais barato”, completa.

Rigor

Mas para chegar até as prateleiras das farmácias, os genéricos passam sim por rigorosos padrões de controle de qualidade. Um deles é o teste, em seres humanos, para verificar se é absorvido na mesma concentração e velocidade que os medicamentos de referência. Outro é o de equivalência farmacêutica para testar a composição do produto e saber se ela é idêntica ao do medicamento de referência. Isso é o que garante que a troca possa ser feita sem nenhum prejuízo ao paciente.

“É o que chamamos de intercambialidade, ou seja, substituir um medicamento de marca prescrito por um genérico, o que só deve ser feito sob a orientação de um farmacêutico”, alerta Marcela.

Essa troca, desde que com orientação, pode ser feita inclusive nas compras de medicamentos em que há retenção de receitas, como os antibióticos e os remédios psiquiátricos. “Não há nenhum problema com relação a isso desde que essa intercambialidade seja feita por um farmacêutico”, afirma.

Esse cuidado é necessário, segundo ela, justamente pelo fato dos genéricos produzirem os mesmo efeitos terapêuticos que os medicamentos de referência, e se usados sem a orientação correta podem trazer prejuízos à saúde. “Quando falamos, por exemplo, da auto medicamentação que é o uso por conta própria de um medicamento, ela pode trazer sérias consequências que podem ir desde alergias, intoxicação e até levar a morte”, diz.

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