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Secretaria registra novos motins em unidades prisionais do RN

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Até o início da noite, duas rebeliões estavam em andamento no estado. Ao todo, 14 das 33 unidades prisionais potiguares foram alvos de motins.

Mais três rebeliões em unidades prisionais foram registradas no Rio Grande do Norte nesta terça-feira (17). Presos da cadeias públicas de Nova Cruz, na região Agreste; e de Caraúbas e de Mossoró, ambas na região Oeste, realizaram motins. Ao todo, 14 das 33 unidades prisionais potiguares foram alvos de motins desde a semana passada.

Até o final da noite desta terça, um motim está em andamento no Centro Educacional de Caicó, na região Seridó, no Rio Grande do Norte, onde dois sócio educadores são mantidos reféns por 25 menores infratores.

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A rebelião na Cadeia Pública de Caraúbas foi encerrada durante a noite e na Cadeia Pública de Mossoró, à tarde.

Na Cadeia Pública de Nova Cruz, a rebelião está contida, mas, segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), a situação no presídio ainda não foi normalizada. O governo estuda maneiras de reformar as cadeias e remanejamento de presos.

A Sesed anunciou a realização de uma entrevista coletiva nesta quarta-feira (18) para falar sobre a situação do sistema prisional do estado. A entrevista contará com a presença da secretária de Segurança, Kalina Leite e da secretária Nacional de Segurança Pública (Senasp), Regina Miki.

Em Caraúbas, os presos do pavilhão A da Cadeia Pública de Caraúbas se recusaram a entrar nas celas. Segundo informações da PM, não houve depredação e a única exigência dos presos é a presença da imprensa de Mossoró. Os detentos se encontravam no refeitório da unidade prisional até as 21h desta terça.

Já em Nova Cruz, a rebelião começou por volta das 16h. Policiais militares do 8º Batalhão foram enviados para isolar a área e evitar fugas. Presos tentaram arrombar as celas forçando as dobradiças. Um cerco foi feito na cadeia, mas não havia ordem para uma intervenção da PM. Um policial foi atingido por uma pedra arremessada de dentro do presídio, mas o ferimento foi superficial.

Segundo informações da direção da Cadeia Pública Manoel Onofre de Souza, em Mossoró, os presos se rebelaram após a saída das visitas íntimas. Poucas celas, segundo a direção, foram danificadas. Para conter o tumulto, que durou cerca de cinco minutos, agentes penitenciários contaram com o apoio da PM.

No Ceduc de Caicó, quatro educadores foram feitos reféns por 25 menores infratores. Dois deles foram liberados e outros dois permaneciam dentro da unidade até as 21h. O coronel da PM Romualdo Borges informou que os adolescentes fazem um motim no local.

“Dois educadores foram liberados e dois internos saíram feridos, sendo socorridos para o hospital. Outros dois adolescentes fugiram do Ceduc com medo de morrer, mas foram recapturados”, disse o coronel, que negocia a liberação dos educadores com o apoio de representantes do Ministério Público e da Justiça.

A PM não sabe se o motim no Centro Educacional está relacionado com a onda de rebeliões que acontece no sistema prisional do estado desde a semana passada.

Onda de rebeliões
A onda de rebeliões que acontece no sistema penitenciário potiguar começou na última quarta-feira (11) e já atingiu 14 das 33 unidades prisionais do estado. Na Zona Norte de Natal, quatro unidades registraram rebeliões: Centro de Detenção Provisória de Potengi, Complexo Prisional João Chaves, Presídio Provisório Professor Raimundo Nonato e Centro de Detenção Provisória da Zona Norte (CDP).

Também aconteceram revoltas no Centro de Detenção Provisória da Ribeira, na Zona Leste de Natal; na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta; no Presídio Estadual Rogério Coutinho Madruga, também em Nísia Floresta; e na Penitenciária Estadual de Parnamirim (PEP), em Parnamirim.

No interior foram registradas revoltas na Penitenciária Agrícola Mário Negócio, em Mossoró; na Cadeia Pública de Mossoró; no Centro de Detenção Provisória de São Paulo do Potengi, na região Agreste; e na Penitenciária Estadual Desembargador Francisco Pereira da Nóbrega, o Pereirão, em Caicó. Até as 21h desta terça estavam em andamento rebeliões nas cadeias públicas deCaraúbas e Nova Cruz.

Reinvidicações
Uma TV e um ventilador em cada uma das celas, roupas e tênis para jogar bola na quadra e material de artesanato estão entre as reivindicações dos detentos do presídio estadual Rogério Coutinho, em Nísia Floresta, na Grande Natal.

Os pedidos dos presos, que fazem uma série de rebeliões desde a semana passada, estão em uma carta obtida com exclusividade pelo G1.

Além da carta, detentos gravaram vídeos em que fazem uma série de exigências, como a saída da diretora da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, Dinorá Simas (veja abaixo). Esta é a maior unidade prisional do estado e apontada como foco do início das rebeliões.

A situação levou à exoneração do secretário estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc), Zaidem Heronildes da Silva Filho, e o governo decretou situação de calamidade no sistema prisional.

A Secretaria de Segurança Pública afirma que “não vai negociar com preso”. Segundo o Ministério Público, a população carcerária no Rio Grande do Norte é de aproximadamente 7.650 pessoas, mas o Estado tem cerca de 4 mil vagas.

Em entrevista à Inter TV Cabugi, a secretária de Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte, Kalina Leite Gonçalves, afirmou que não vai negociar com os presos. “O que o poder público tem que fazer é garantir os direitos constitucionais. Agora, nenhuma possibilidade de negociação com preso”, disse ela.

Força Nacional
Desembarcaram na Base Aérea de Natal na tarde desta terça 215 militares da Força Nacional enviados para reforçar a segurança no Rio Grande do Norte após a onda de rebeliões no sistema prisional. A atuação dos profissionais não foi detalhada pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social.

Os militares começaram a chegar durante a manhã, quando 79 homens desembarcaram na Base Aérea de Natal. Durante a tarde, grupos de 51 e 25 policiais chegaram em voos separados.

Os outros 60 integrantes da Força Nacional chegaram de Maceió em 25 carros que serão usados no reforço da segurança do Rio Grande do Norte.

Está prevista para esta quarta a chegada de 36 policiais rodoviários federais do efetivo de estados nordestinos para reforçar a segurança nas rodovias federais da Grande Natal e de Mossoró, na região oeste.

Calamidade
“O governo decretou estado de calamidade do sistema penitenciário. Isso significa que vamos trabalhar para a recuperação das instalações do sistema carcerário para poder atender as demandas dos apenados. Mas o governo não vai fazer nenhum tipo de concessão. Que fique bem clara a nossa posição. Vamos garantir os direitos dos apenados, mas sem fazer nenhum tipo de concessão ou barganha que venha a mudar a autoridade do governo de enfrentar a situação”, afirmou o governador, Robinson Faria.

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Fonte: G1

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