Moscou vai considerar a adesão da Ucrânia à Otan como uma ameaça. Russos também criticam o governo da França por adiamento de um contrato militar.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, fez uma advertência à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para que não proponha adesão à Ucrânia durante a cúpula da aliança militar nesta quinta-feira e disse para os Estados Unidos que não devem tentar impor sua vontade sobre a ex-república soviética. Lavrov também pediu para o governo em Kiev apoiar as iniciativas de paz delineadas pelo presidente russo, Vladimir Putin, e evitar “uma crise em grande escala” no coração da Europa.

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Putin revelou o seu plano de sete pontos nesta quarta-feira, na véspera da cúpula da Otan em Newport, no País de Gales. A crise na Ucrânia e  ascensão do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) são os principais assuntos das reuniões entre os chefes de Estado dos 28 países que formam a aliança militar.

“É justamente em um momento como este, quando surge a oportunidade de começar a resolver problemas específicos entre Kiev e as milícias, que alguns setores do governo de Kiev fazem exigências para que a Ucrânia deixe seu status não-alinhado e comece a entrar na Otan”, disse Lavrov em conversações com a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), entidade voltada para promoção de direitos e segurança. “É uma flagrante tentativa de inviabilizar todos os esforços de iniciar um diálogo sobre a garantia da reconciliação nacional”, afirmou. A Rússia tem dito que vai considerar a adesão da Ucrânia à Otan como uma ameaça à sua segurança nacional.

No encontro de cúpula desta quinta e sexta-feira, os líderes da aliança pretendem adotar um plano de ação para dar segurança aos aliados do leste. O projeto é um claro posicionamento militar dos países ocidentais contra a influência russa nos confrontos separatistas que acontecem no leste ucraniano. A Otan mobilizará “forças de reação extremamente rápidas, com capacidade de deslocamento em um prazo de tempo muito curto”, afirmou o secretário-geral da aliança, Anders Fogh Rasmussen. O plano da Otan deve ampliar a presença militar ocidental na Polônia, Romênia, Bulgária e em alguns países bálticos, todas nações que fazem fronteira com a Rússia.

Navios franceses – Autoridades russas questionaram nesta quinta a a confiabilidade da França como parceira comercial depois que o governo francês suspendeu a entrega de um navio militar devido à crise na Ucrânia, e indicaram que os franceses podem ter cedido à pressão dos EUA. “Onde estão os tempos em que Paris não sucumbia à pressão dos Estados Unidos, como, por exemplo, sobre o Iraque?”, escreveu no Facebook a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Maria Zakharova.

Ela também descreveu a decisão da França como uma “vergonha”. “A reputação da França como uma parceira confiável que cumpre suas obrigações contratuais foi jogada na caldeira das ambições políticas americanas”, escreveu Zakharova. O presidente francês, François Hollande, resistiu durante meses à pressão de Washington e de outros aliados para abandonar um contrato de 1,2 bilhão de euros (3,6 bilhões de reais) para entregar dois navios militares à Rússia.

Nesta quarta-feira, o gabinete de Hollande informou que a França adiaria a entrega do primeiro navio. O governo francês acusou a Rússia de cometer ações na Ucrânia que vão “contra as bases da segurança na Europa”.

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Fonte: Reuters

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