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Repórter do G1 faz aula em curso que forma drag queen

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Repórter do G1 fez aula e mostra como é a transformação no personagem. Aulas incluem figurino, maquiagem e caminhada sobre salto alto.

Vai para o diferente, para aquilo que não é esperado”, esse é um dos segredos de Zecarlos Gomes para montar uma drag queen. Ele é ator, coreógrafo e coordena um curso para construir o personagem no Sesc Consolação, no Centro de São Paulo. As aulas começaram no dia 8 e vão até 12 de maio. Vinte alunos, entre homens e mulheres, se inscreveram. Há fila de espera para novas turmas. A reportagem do G1 encarou uma aula intensiva para criar uma drag queen (veja a transformação no vídeo acima).

Gomes explica que viver uma drag queen não basta apenas encher a cara de maquiagem e vestir uma roupa feminina, para ele há mais técnica do que isso. “Precisa de noção de figurino, de maquiagem, saber andar de salto, mas acima de tudo precisa se conhecer. Eu faço um paralelo com o clown, associo muito esse artista porque o curso de drag vem quem quebrar esse estigma que para ser drag queen não precisa de técnica, não precisa de estudo. Óbvio que precisa ter talento também.”

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O professor também tem sua drag queen, Sheyla Müller, que criou em 2007 para atuar em eventos. Para ele, não há uma receita para a composição da personagem. “Não existe certo e errado. Acho que cada um, no processo do curso, vai construindo sua personagem e o seu figurino também, não tem um padrão. Claro que a drag tem que ter volume, cor. Por exemplo, gosto de trabalhar o figurino com material reciclável. Não tem uma regra, parte da criatividade de cada um.”

Segundo ele, a “imagem masculina da drag também é uma proposta de figurino para drag, mas precisa ser bem trabalhada”. Sobre a maquiagem, Gomes diz que é preciso conhecer o próprio rosto para acertar a mão na caracterização.

Você precisa saber fazer o esfumaçado no rosto, esconder uma sobrancelha, mesclar as cores, depende da personagem criada. Não tem um padrão de maquiagem. Se ela acorda mais azeda ela muda as cores, mas o traçado já está ali. Tem que conhecer o seu rosto.”

Não precisa de bordão
Uma drag queen não precisa necessariamente falar, mas não existe uma se não tiver um nome. “Escolher uma catástrofe ambiental funciona bastante, aí você coloca seu sobrenome, isso causa um grande efeito. O que caracteriza a drag é a imagem, não precisa necessariamente de um bordão. É até bacana sair do bordão, vai para o diferente, para aquilo que não é esperado. Às vezes uma drag não tem bordão, mas tem uma imagem que funciona. Uma drag não fala, mas tem um trabalho corporal bacana”, explica o professor.

Gomes diz que costuma “cutucar o aluno para ele colocar para fora sua personalidade e assim mostrar qual o melhor caminho artístico para a personagem. Não há nada pronto, cada um descobre a sua drag queen no curso.”

Tirando a drag do armário
É o que espera um dos alunos matriculados no curso, Pedro Machitte. Ele é ator e já tem uma drag queen, Mercedes Vulcão, como personagem, mas não a tornou pública ainda. “Já faz muito tempo que tenho vontade de me montar, mas nunca tirei, de fato, minha drag do armário. Ela tenta ser fina, mas é bagaceira. A inscrevi em um concurso de drags e acho que o curso vai me ajudar.”

A modelista Jaqueline Gomes quer aprender a fazer maquiagem, atuar e tirar a timidez. “Quero descobrir a minha diva interior. Acho que vai ser muito bom para minha carreira de modelista. Vou poder usar a drag como modelo para o meu trabalho.”

O curso integra o programa Damas da Noite, do Sesc, e é dividido em 19 aulas de 2h30 cada. Em maio, durante a formatura da turma de drag queens, os alunos vão apresentar uma intervenção artística chamada CabaréShowDRag, que será aberta ao público.

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Fonte: G1

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