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Por volta de fevereiro e março, no início da guerra entre Rússia e Ucrânia, era esperada uma forte crise na oferta de combustível e um consequente aumento de preços ao consumidor. De fato, desde então, o impacto negativo do conflito do Leste Europeu está impulsionando os níveis inflacionários por todo o mundo, o que levou a índices de 9,1% nos Estados Unidos, de 8,9% na zona do euro, bem como a taxa de 11,98% no Brasil, no acumulado em 12 meses. Por outro lado, era esperado também um saldo positivo para as empresas de petróleo bruto e do gás natural no mundo. Afinal, com a demanda no mesmo nível do período pré-guerra ou até superior por conta do arrefecimento da pandemia, somada aos preços elevados, prometiam faturamento maior ao setor.

Os resultados recentes das petrolíferas, de fato, mostram não só lucros positivos às empresas, como, em alguns casos, lucros como há tempos não eram observados. Além da Petrobras, com o robusto lucro de 54 bilhões de reais no segundo trimestre, um aumento de 26% em relação ao mesmo período de 2021, outras quatro gigantes do setor divulgaram seus resultados trimestrais. O total do lucro líquido de ExxonMobil, Chevron, Shell e TotalEnergies chega a 46,69 bilhões de dólares, combinados. É o equivalente a 244 bilhões de dólares. Nesse grupo de grandes resultados, o lucro da Petrobras ficou acima apenas do registrado pela francesa TotalEnergies. Veja:

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ExxonMobil

A multinacional americana de petróleo e gás teve lucro líquido de 17,9 bilhões de dólares no segundo trimestre, ou 4,21 dólares por ação. No mesmo período do ano passado, foram registrados 4,69 bilhões de dólares em lucro, ou 1,10 dólar por ação. Já em 2022, houve prejuízo de 1,1 bilhões. O resultado trimestral mais recente que se aproximou do atual foi em 2014, com lucro de 8,8 bilhões dólares. O relatório da companhia cita como “chave para o sucesso” nos últimos três meses, o portfólio de investimentos, que inclui a atuação da empresa na exploração de petróleo na Guiana e o protagonismo na produção de gás natural liquefeito (GNL).

Chevron

O lucro de 11,6 bilhões de dólares de outra multinacional americana representou o valor de 5,95 dólares por ação. O resultado do segundo trimestre de 2022 é outro grande salto em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram divulgados 3,1 bilhões de dólares, ou 1,60 por ação. A redução do endividamento, bem como o aumento em 15% na produção da Bacia Permiana, entre o Novo México e do Texas, foram citados como alguns dos fatores para o salto (super) positivo.

Shell

Com sede no Reino Unido, a multinacional lucrou 11,5 bilhões de dólares, bem acima dos 5,5 bilhões registrados no segundo trimestre do ano passado. A companhia não aumentou seus dividendos, de 25 centavos por ação, no período. No início de março, a Shell havia anunciado que gradualmente iria abandonar as operações de petróleo e gás natural na Rússia. No último relatório de ganhos trimestrais, mais investimento na produção de gás natural nas áreas de Pierce e Jackdaw, no Reino Unido, bem como na região do Catar e Austrália, foram anunciados pela companhia.

TotalEnergies

A companhia da França registrou lucro líquido de 5,69 bilhões de dólares no segundo trimestre, ou 3,75 dólares por ação. O resultado líquido do ano passado foi de 3,5 bilhões de dólares e 1,27 dólar por ação. Como impacto favorável ao setor de energia, a empresa cita diretamente o preço do petróleo acima de 110 dólares por barril, durante a guerra, bem como os preços do gás natural acima da paridade do petróleo na Europa e na Ásia. A Total indicou expectativas de que o ritmo positivo de crescimento continue.

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