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Iraniana cega e desfigurada por ataque de ácido diz que se sente culpada por ter perdoado agressor

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Apesar de ter perdoado o agressor, Ameneh Bahrami garante que nada mais a assusta.

Aos 37 anos, a mulher iraniana Ameneh Bahrami, que ficou cega e desfigurada após ser atacada com ácido por um pretendente há 11 anos, diz que sua luta por justiça não acabou. Mesmo com a chance de retribuir o ataque na mesma moeda, ela perdoou o agressor, Majid Movahedi, no último minuto, mas acredita que sua atitude pode ter refletido no crescente número de casos semelhantes ao seu. As informações são do The Guardian.

— Mesmo ele não demonstrando nenhum tipo de arrependimento, eu não poderia fazer isso. Não poderia viver com essa culpa até o fim da minha vida.

Em uma tarde de outono de outubro de 2004, a iraniana estava saindo do trabalho quando foi confrontada por um jovem que ela se recusou a se casar. O pretendente teimoso, incapaz de lidar com a rejeição, tinha importunado e ameaçado a moça, na época com 26 anos, muitas vezes antes dessa data, mas ela não tinha ideia do que ele estava prestes a fazer.

— Ele tinha um recipiente vermelho em suas mãos. Ele olhou nos meus olhos e jogou ácido na minha cara.

Aqueles poucos segundos deixaram Ameneh cega e desfigurada. O agressor, Movahedi, um homem cinco anos mais novo do que ela e ex-colega de universidade, manteve-se no meio da multidão que a rodeava observando sua angústia de perto enquanto ela gritava por socorro.

A tragédia da jovem foi manchete nos jornais de todo o mundo. Na época do ataque, Ameneh era uma estudante com grandes ambições.

— Um dia, a mãe dele me ligou e disse que o filho queria se casar comigo. Eu nem sabia o nome dele. Por causa da rejeição, ele me ligou e disse que minha vida estava arruinada.

A jovem relatou o assédio à polícia, mas eles não a levaram a sério. Após o ataque, Movahedi se entregou à polícia. Em novembro de 2008, um tribunal de Teerã determinou que a jovem teria o direito de cegar o agressor com ácido.

No último minuto, Ameneh o perdoou. Em estado de choque, Movahedi caiu aos seus pés e disse que não pronunciaria seu nome nunca mais na vida.

Apesar do perdão, a moça insistiu que o agressor permanecesse na prisão até que sua família pagasse uma indenização suficiente para ela arcar com os custos do tratamento. Porém, ela tem dúvidas se tomou a atitude certa, especialmente porque continua crescente o número de mulheres no Irã alvos de ataques com ácido.

— Eu sinto que eu sou culpada. Se eu tivesse realizado a sentença, talvez esses incidentes não estariam acontecendo. É como se eu libertasse um lobo de sua gaiola.

O agressor, Movahedi, foi libertado da prisão no ano passado, aparentemente perdoado pelo aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, embora nenhuma compensação tenha sido paga para a vítima.

— Eu me senti completamente traída.

A iraniana foi submetida a mais de dez cirurgias para reconstruir seu rosto na Espanha. Em um determinado momento, ela recuperou a visão parcial do olho direito, mas uma infecção em 2007 a deixou totalmente cega novamente.

O ataque de ácido mudou a vida de Bahrami inteiramente. Seu irmão mais velho, que ficou traumatizado e deprimido com o que aconteceu, tirou a própria vida há seis meses. Apesar de todo seu tormento, no entanto, ela está determinada a seguir em frente. Ela publicou um livro, Eye for an Eye (Olho por olho, na tradução), em várias línguas, embora a versão em inglês ainda está para ser publicada.

— O ataque de ácido levou a minha vida para a estaca zero. Passei por coisas que nem todo mundo pode experimentar. Agora, acho que não há nada neste mundo que possa me assustar. Tenho um caminho a seguir e estou vivendo a minha vida.

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Fonte: R7

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