Secretário John Kerry afirma que grupo fundamentalista palestino tem ‘escolha fundamental’ em aceitar ou não plano de cessar-fogo do Egito.

O secretário de Estado americano John Kerry pressionou o grupo fundamentalista palestino Hamas a acabar com o confronto na Faixa de Gaza, que já deixou mais de 600 palestinos e quase trinta israelenses mortos. “Há um cenário disponível para acabar com a violência”, disse Kerry nesta terça, ressaltando que o Hamas tem “uma escolha fundamental” a fazer sobre se aceita ou não o plano para um cessar-fogo apresentado pelo Egito. O secretário americano está no Cairo e se encontrou nesta terça com o presidente Abdel Fattah Sisi. “A comunidade internacional está se unindo, porque vimos muito derramamento de sangue de todos os lados”, acrescentou, segundo declarações reproduzidas pelo Wall Street Journal.

Publicidade

Israel aceitou o plano na última semana, mas o Hamas rejeitou, reclamando por não ter sido consultado e por achar que o acordo não incluía pontos importantes como o fim do bloqueio econômico a Gaza. A proposta menciona a abertura de alguns dos postos comerciais na região para ajudar a acabar com as hostilidades. “Chegamos a uma visão comum. O plano recebeu um amplo apoio internacional”, destacou o ministro egípcio de Relações Exteriores, Sameh Shoukry.

Kerry disse que os Estados Unidos estão preocupados com a morte de palestinos, mas reafirmou o apoio americano à “apropriada e legítima” operação militar israelense. Ele também anunciou que os EUA estão enviando 47 milhões de dólares em auxílio a Gaza, “para aliviar a crise humanitária”.

A ONU também aumentou a pressão por uma trégua. O secretário-geral Ban Ki-moon viajou para a cidade de Ramallah, na Faixa de Gaza, e conversou por meio de uma videoconferência com os membros do Conselho de Segurança. Ban disse ter “esperança e confiança” de que sua missão de emergência no Oriente Médio trará paz para os dois lados “em um futuro muito próximo”. De acordo com a agência de notícias Associated Press, uma sirene de alerta à população podia ser ouvida ao fundo do vídeo em que o secretário fazia seu pronunciamento.

Ban Ki-moon também se reuniu com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e pediu que o país tenha “máxima restrição” em suas ações, ressaltando que “uma ação militar não trará mais segurança a Israel em longo prazo”. O secretário pontuou ainda que os palestinos devem buscar uma política “de não violência, reconhecer Israel e respeitar os acordos firmados anteriormente”

Netanyahu respondeu às declarações do secretário da ONU criticando a postura radical de grupos como o Hamas. “Qual solução nós podemos buscar para as queixas do Hamas? Eles se queixam por nós existirmos.”

Voos vetados – O conflito em Gaza levou a Administração Federal de Aviação (FAA, em inglês) dos Estados Unidos, o órgão responsável por coordenar todas as atividades aéreas do país, a determinar a suspensão de todos os voos para o aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv. A medida foi tomada por pelo menos 24 horas e se deve à “potencialmente perigosa situação criada pelo conflito armado entre Israel e Gaza”.

Nos cinco dias da invasão terrestre, as forças armadas israelenses descobriram 66 entradas de 23 túneis que conduziam ao seu território. A localização e destruição dos túneis é um dos objetivos da operação e uma das razões para a incursão de tropas de infantaria. A operação militar visa também debilitar ao máximo as infraestruturas de lançamento de foguetes do Hamas e de outros grupos terroristas. Até agora, Israel afirma ter atingido 2.925 alvos, sendo 1.388 deles somente durante a fase terrestre.

De acordo com fontes militares israelenses, mais de 2.000 projéteis foram lançados contra o sul, o centro e o norte de Israel, chegando a cidades como Haifa, a mais de 150 quilômetros de distância do território palestino.

Deixe seu comentário abaixo.

Fonte:

Comentar

Comentar