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Equipe de jornalismo da Record comemora prêmio Rei da Espanha de televisão: “É histórico”

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Reportagem investigativa As Eternas Escravas venceu 42 trabalhos de 34 países na premiação.

O jornalismo da Rede Record ganhou o Prêmio de Jornalismo Rei da Espanha pela reportagem investigativa As Eternas Escravas, nesta terça-feira (12), na categoria de Televisão. Em conversa com o R7, o produtor e editor-executivo, Gustavo Costa, e o editor, Marcelo Magalhães, comemoraram um dos prêmios mais importantes do mundo para o jornalismo.

Costa avaliou a importância da reportagem investigativa que concorreu com 42 trabalhos de 34 países ao redor do mundo e conseguiu o prêmio para o Brasil e comentou sobre a premiação.

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Costa avaliou a importância da reportagem investigativa que concorreu com 42 trabalhos de 34 países ao redor do mundo e conseguiu o prêmio para o Brasil e comentou sobre a premiação.

— Gostaria de destacar a importância da reportagem, que mostra um Brasil que a gente gostaria que não existisse mais, no qual crianças entre 10 e 14 anos são mantidas reféns, torturadas, escravizadas e estupradas por pessoas, por políticos, por fazendeiros que têm uma condição mais elevada. O prêmio é muito importante, pois a gente estava concorrendo com países de língua portuguesa, de língua espanhola, além dos Estados Unidos e Andorra. É um dos prêmios mais importantes do mundo.

Magalhães se mostrou surpreso com a quantidade de prêmios que a reportagem As Eternas Escravas vem conquistando, pois conquistou o Prêmio Esso de Telejornalismo 2015 (atualmente conhecido como Prêmio Exxonmobil de Telejornalismo 2015) e o 32º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo na categoria Televisão.

— De maneira alguma esperávamos tudo isso. Essa é uma notícia que a gente não gostaria de ter dado, porque a situação dessas meninas não poderia existir mais. Obviamente, do lado profissional, a gente se sente muito realizado, porque é um reconhecimento internacional, que apenas uma vez tinha acontecido para uma emissora de TV no Brasil. Mas tem também o lado que é da divulgação da história dessas meninas. Quanto mais a gente puder gritar para o mundo que elas são descendentes de escravos e em pleno século XXI ainda vivem toda essa história de privação, de tortura e de sofrimento, que os antepassados viviam há 200 anos, melhor. Mais chances essas meninas têm de melhorar de vida.

A equipe de reportagem vai receber o prêmio em maio deste ano, direto das mãos de Felipe VI, o Rei da Espanha. Costa comentou sobre a expectativa de passar um dia em contato com jornalistas de diversos cantos do mundo, bem como com integrantes da realeza espanhola.

— Nem sei como dizer isso. Primeiro, porque é um dos prêmios mais importantes do mundo. Segundo, porque vou passar um dia com o Rei, no castelo e com outros colegas do mundo inteiro. Poder almoçar com o Rei e depois participar da festa de gala. A expectativa é bastante grande. É só em maio ainda, está bastante longe.

Segundo Magalhães, a premiação é mais do que a realização de um sonho.

 — É uma sensação indescritível, nem nos meus sonhos mais otimistas esperava ganhar, porque vou estar lado a lado com pessoas do naipe do [Mario] Vargas Llosa, escritor ganhador do prêmio Nobel. Ele venceu o mesmo prêmio, lógico que em categoria diferente, mas venceu por um artigo que publicou no El País e a gente venceu por uma reportagem que foi feita pela Rede Record de Televisão. É uma honra, é uma satisfação. É histórico. Premia um investimento no programa e no núcleo de reportagens especiais. Premia o fato de terem investido e acreditado em uma equipe que busca fazer reportagem de excelência.

Os dois também falaram sobre os bastidores da reportagem, que contou com dificuldades para fazer contato com as vítimas.

— Qualquer reportagem investigativa é muito difícil. Esta, embora o quilombo fosse muito próximo de Brasília, ficava em um lugar no meio da Chapada dos Veadeiros. Você tem que convencer a família de uma criança a expor um esquema, que pode futuramente sofrer represália. Isso porque os políticos são de lá, os fazendeiros também. E você tem que ser honesto com elas. Tem que dizer que não tem muitas garantias: vai lá, faz a reportagem e volta, mas essas pessoas ficam. Conversar com criança também é difícil. Você não pode expô-las, porque são menores. E essas meninas estavam três horas mata adentro. A gente chegou sem saber que seria possível entrevistá-las, tanto por não estarem no local quanto por não quererem falar.

Costa comentou sobre as barreiras por que a equipe passou para conseguir acesso a documentos sigilosos.

— É preciso convencer autoridades sobre a importância de expor um caso desses, para assim poder ter acesso a documentos sigilosos. E você garantir para essas autoridades que essas meninas não serão expostas mais do que já foram, que vamos proteger as identidades para que elas não sejam denegridas. Escancarar um esquema como esse, revela o quanto a gente está atrasado nessa relação de homem e mulher, nessa relação de classes.

Para finalizar, Magalhães fez uma análise da situação das mulheres da região.

— É uma coisa cultural. A gente entrevistou algumas das dezenas de vítimas daqueles abusos. Algumas daquelas famílias nem têm noção que estão sofrendo esse tipo de crime, porque acham tão normal para elas e para todo mundo que está ali. Eles acabam encarando com naturalidade, como se fosse uma troca de favores. ‘Você vai para a casa do comerciante, rico, branco, que mora próximo à casa do quilombo, e vai ter acesso à educação que não tem. Por outro lado, você, menina de nove anos, vai ter que trabalhar como empregada doméstica, por muitas vezes vai ser tratada como animal e fazer favores sexuais contra a sua vontade para o dono da casa que está te fazendo o favor de te proporcionar tudo aquilo que você não teria lá dentro’. Essa é uma dificuldade muito grande. O que a gente espera é que consiga alertar as pessoas que têm condições de interferir nesse tipo de situação, porque o pessoal do quilombo, não tem.

A matéria foi exibida em 15 de junho de 2015 no Repórter Record Investigação e a equipe de reportagem foi composta por: Domingos Meirelles, apresentador; Gustavo Costa, Produção e Reportagem/Editor-executivo; Lucio Sturm, Repórter; Marcelo Magalhães, Editor; Michel Mendes, Cinegrafista; Valmir Leite, Auxiliar técnico; Caio Laronga, Editor de pós-produção; Natálua Florentino, Finalizadora; Rafael Ramos, Sonorização; Renato Battaglia, Arte e Rafael Gomide, Chefe de Redação.

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Fonte: R7

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