A moeda norte-americana subiu 1,82%, a R$ 4,166; na semana, o avanço foi de 4,31% – a maior alta semanal em mais de um ano.

Notas de dólar — Foto: Hafidz Mubarak/Reuters
Notas de dólar — Foto: Hafidz Mubarak/Reuters

O dólar fechou em alta nesta sexta-feira (8), com incertezas sobre um acordo entre Estados Unidos e China no exterior e com os investidores avaliando os impactos políticos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar a possibilidade de prisão depois de condenação em segunda instância.

A moeda norte-americana subiu 1,82%, a R$ 4,166. Veja mais cotações. Na semana, o avanço foi de 4,31% – a maior alta semanal em mais de um ano. No mês e no ano, há alta acumulada de 3,9% e 7,53%, respectivamente.

No dia anterior, o dólar fechou a R$ 4,0914, em meio a frustração dos investidores com os resultados dos leilões do pré-sal.

Cenário político e leilões

Na quinta-feira, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a possibilidade de iniciar a execução de pena de prisão após condenação em segunda instância. A decisão está sendo vista por analistas como uma derrota da operação Lava Jato. Nesta tarde, o juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Criminal Federal de Curitiba, aceitou o pedido da defesa do ex-presidente do República Luiz Inácio Lula da Silva e o autorizou a deixar a prisão.

“Os ruídos políticos trazem uma certa cautela em semana marcada pelo leilão decepcionante do pré-sal”, disse à Reuters Pablo Spyer, diretor da Mirae Assets.

“Diminuiu o ímpeto otimista da queda do dólar”, afirmou.

A frustração com o resultado dos leilões do pré-sal, marcados pela ausência de participação de empresas privadas estrangeiras, pegou no contrapé boa parte do mercado que estava vendida na moeda americana, o que significa que a correção pode se estender pelos próximos pregões.

A corretora H. Commcor destacou em nota que “as reações no mercado tendem a ser negativas, tanto pela sensação de insegurança jurídica quanto pelo chamado ‘risco Lula'”. “Nesse último aspecto, deve-se expor primeiramente a potencial instabilidade política adicional que a esquerda (fortalecida) promete, tanto em atritos com a atual gestão (politicamente fraca) quanto em termos da disputa presidencial para 2022”, afirmou.

Guerra comercial

No exterior, a cautela prevalecia após uma notícia da Reuters sugerindo que autoridades da Casa Branca se opõem à revogação de tarifas sobre Pequim levantar incertezas sobre a primeira fase de um acordo comercial.

Na quinta-feira, autoridades dos EUA e da China disseram que os dois países irão reverter as tarifas sobre os produtos um do outro na “fase um” de um acordo comercial se ele for finalizado.

Fonte: G1