Região passou por uma trégua humanitária de 72 horas, que acabou nesta sexta-feira.

A ofensiva israelense na faixa de Gaza completa um mês nesta sexta-feira (8), após 72 horas de trégua humanitária e com a esperança de que o cessar-fogo seja prolongado.

Publicidade

Os combates tiveram início no dia 8 de julho, quando o governo israelense alegou que atuaria em Gaza com o objetivo de destruir túneis e foguetes usados em ataques pelo Hamas, o partido político que governa a região.

Os ânimos de ambos os lados já estavam exaltados desde o fim de junho, quando o Exército de Israel encontrou perto da cidade palestina de Hebron os corpos de três jovens estudantes que haviam desaparecido no dia 12 de junho na Cisjordânia.

O sequestro dos jovens foi atribuído ao Hamas e o vice-ministro israelense da Defesa, Danny Danon, prometeu erradicar o movimento islamita palestino.

Dias depois, o sequestro e a morte de um palestino levou a confrontos na região devido a suspeita de que o crime tenha sido um ato de vingança pelo assassinato dos três israelenses.

Acusações e combates

No dia 13 de julho, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou o Hamas de ser o causador da morte acidental de civis palestinos na troca de bombardeios com Israel, ao utilizar sua própria população para “proteger seus mísseis”.

— A diferença é que nós estamos usando um escudo antimísseis para proteger nossos civis e eles estão usando seus civis para proteger seus mísseis.

Forças israelenses atacaram a única usina elétrica da faixa de Gaza, no dia 29 de julho, deixando-a inoperante. Além disso, os militares também destruíram a casa do líder político local do grupo islâmico Hamas e bombardeou dezenas de seus principais alvos militares.

O líder do Hamas, Khaled Meshaal, afirmou em entrevista exclusiva à BBC, que o grupo palestino quer uma trégua com Israel o mais rapidamente possível. Mas ele condicionou a trégua a uma garantia genuína do fim do cerco de oito anos a Gaza.

“A população de Gaza está sendo punida com uma morte lenta na maior prisão do mundo”, disse Meshaal.

Durantes os combates, escolas e hospitais foram alvo de bombardeios, deixando mortos e feridos.

Na segunda-feira (4), um veículo pesado de construção civil atingiu e matou um pedestre e virou um ônibus em Jerusalém, no que a polícia suspeita ter sido um ataque terrorista palestino, encerrado após um policial atirar e matar o motorista da escavadeira amarela.

Brasil

No dia 23 de julho, o Itamaraty convocou o Embaixador do Brasil em Tel Aviv, Henrique da Silveira Sardinha Pinto, para dar explicações sobre o atual conflito e pediu um “imediato cessar-fogo entre [ambas] as partes”.

Israel lamentou a decisão no dia seguinte e chamou o Brasil de “anão diplomático” por causa do gesto.

O chanceler brasileiro Luiz Alberto Figueiredo respondeu à crítica dizendo: “O Brasil é um dos 11 países do mundo que têm relações diplomáticas com todos os membros da ONU. E temos um histórico de cooperação pela paz e ações pela paz internacional. Se há algum anão diplomático, o Brasil não é um deles”.

Cessar-fogo

Israelenses e palestinos concordaram com um cessar-fogo de 72 horas, que se iniciaria no dia 1º de agosto. No entanto, os combates foram retomados poucas horas depois da entrada em vigor da trégua.

A artilharia israelense perto da cidade de Rafah, no sul da faixa de Gaza, matou pelo menos 40 pessoas, enquanto a imprensa israelense acusou o Hamas de continuar com o lançamento de foguetes após o início do cessar-fogo.

Na terça-feira (5), uma nova trégua humanitária de 72 horas foi aceita por ambos os lados. Apesar de ter havido relatos de bombardeios em Gaza, o cessar-fogo foi mantido.

O governo israelense anunciou, também na terça-feira, que havia atingido o objetivo principal de sua operação ao destruir 32 túneis usados por militantes, 3.000 mísseis e matar cerca de 900 “terroristas”.

Já na quinta-feira (7) mediadores trabalhavam contra o relógio para estender a trégua, que estava próxima do fim. Com a mediação egípcia, novas negociações para um acordo mais duradouro deverão ser realizadas.

Israel demostrou interesse em prolongar o cessar-fogo, mas os palestinos colocam como condições a interrupção do bloqueio egípcio-israelense imposto ao território desde 2007, a reabertura das fronteiras e a libertação de prisioneiro detidos por Israel.

Vítimas

Em um mês de ofensiva, 1.869 palestinos morreram, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza. A maioria das vítimas é civil, entre elas, cerca de 400 crianças, sendo 251 meninos e 157 meninas, todos com 12 anos ou menos.

Estima-se que meio milhão de pessoas tenham deixado suas casas em Gaza e que cerca de 10 mil tenham se ferido durante os combates.

Do outro lado, Israel diz que 64 soldados e três civis foram mortos.

Deixe seu comentário abaixo.

Fonte: R7

Comentar

Comentar