O Ministério das Relações Exteriores da China confirmou nesta segunda-feira (27) o fechamento do consulado americano na cidade de Chengdu, no noroeste do país asiático.

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O governo chinês ordenou na sexta-feira (24) que a representação diplomática fosse fechada em retaliação a uma ação semelhante do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o consulado chinês em Houston, no Texas.

Imagens transmitidas na televisão chinesa mostraram o momento em que a bandeira americana foi retirada na manhã desta segunda (noite de domingo no Brasil).

Entre selfies, bandeiras chinesas e medidas de segurança, os habitantes de Chengdu aproveitaram o domingo para imortalizar o consulado dos Estados Unidos.

A tensão entre China e Estados Unidos, já alimentada pelas disputas comerciais e pelas acusações mútuas sobre a pandemia da Covid-19, tem aumentado nas últimas semanas, após a imposição da lei de segurança nacional em Hong Kong por parte de Pequim.

Fotos e tensão

Neste domingo, um grande fluxo de curiosos se aglomerou em frente ao consulado para tirar uma foto, em meio às famílias que passeavam com seus filhos.

Nas proximidades do prédio, a segurança foi reforçada. Os policiais mostravam certa tensão e não permitiram qualquer gesto provocativo, ou sinal de alegria excessiva, antes da partida dos americanos. Uma pessoa que parecia entoar um canto nacionalista foi rapidamente abordada e obrigada a ficar em silêncio, segundo um vídeo divulgado nas redes sociais.

No sábado (25), a insígnia americana foi retirada e um ônibus de vidros escuros foi visto neste domingo deixando o recinto diplomático, sob as vaias do público.

Chengdu

Além da embaixada em Pequim, os Estados Unidos contam com consulados nas cidades de Cantão, Xangai, Shenyang, Chengdu e Wuhan – e no território de Hong Kong.

Inaugurado em 1985, o consulado em Chengdu cobre todo o sudoeste da China, incluindo a região autônoma do Tibete.

A decisão de fechar o consulado norte-americano em Chengdu constitui “uma resposta legítima e necessária contra as medidas não razoáveis dos Estados Unidos”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da China, em um comunicado.

Fechamento de consulado chinês em Houston

O governo americano mandou fechar a embaixada em Houston após dois hackers tentarem roubar informações sobre pesquisas de vacinas, segundo os americanos, a mando de serviços de espionagem do governo chinês. O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que a medida tinha o objetivo de proteger a “propriedade intelectual e as informações privadas dos americanos”.

Na quinta-feira (23), o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse que o consulado chinês em Houston era “um centro de espionagem chinesa” e de “roubo de propriedade intelectual”.

Tensão entre as potências

As tensões entre os Estados Unidos e a China estão aumentando nos últimos meses. O governo do presidente Donald Trump trava uma guerra comercial com Pequim.

A imposição chinesa da nova lei de segurança nacional a Hong Kong, região de interesse comercial americano, levou Trump a suspender o tratamento especial que o país dava ao território semiautônomo. Washington afirma que lei destrói a autonomia da antiga colônia britânica. Pequim acusa os Estados Unidos de ingerência em seus assuntos internos.

Nos últimos meses, Trump culpou a China pela pandemia de Covid-19 e se refere ao Sars-CoV-2 como “o vírus chinês”. O mandatário americano acusa o governo chinês de não ter agido com transparência com relação à expansão de contaminações pelo novo coronavírus.

Críticos acusam Trump de tentar desviar das críticas em relação a sua própria forma de administrar o controle da pandemia nos Estados Unidos, que registra o maior número de casos e mortes do mundo. Os dois países são concorrentes no desenvolvimento de uma vacina que combata a doença.

Fonte: G1

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