Cotado para herdar a vaga de Neymar na seleção brasileira nesta terça, no duelo contra a Alemanha, pelas semifinais da Copa do Mundo, Willian tem ao menos uma semelhança com o camisa 10 lesionado e fora do Mundial. Assim como acontece na vida do jogador do Barcelona, é o pai do atacante do Chelsea quem conduz sua carreira. Tanto é assim que William segue um ritual semelhante ao de Neymar nos dias de jogos. Enquanto o astro fala e ora com o pai pelo telefone antes das partidas, Willian recebe mensagens de incentivo de Severino Vieira da Silva, seu pai.

As digitais do pai estão por toda a carreira de Willian. Desde a decisão de deixar o futsal para jogar numa escolinha comandada pelo ex-corintiano Marcelinho Carioca, em Ribeirão Pires. Lá, seu caminho cruzou pela primeira vez com o capitão da seleção brasileira nesta tarde em Belo Horizonte. David Luiz atuava numa filial da mesma escolinha em Diadema. Os dois se conheceram nos confrontos entre as unidades e participaram da mesma peneira para as categorias de base do Corinthians.

Willian foi chamado para o time dos nascidos em 1988. David, um ano mais velho, fez alguns treinos na equipe de sua idade, mas não ficou no Parque São Jorge.

“Conheço David desde 8 anos de idade, jogamos na escolinha do Marcelinho. No Chelsea ele foi um dos caras que apoiou, incentivou bastante, mostrou para a diretoria do clube que poderia me levar. É um amigo que tenho dentro do futebol, tenho carinho muito grande por ele, vou levar mesmo depois que encerrar a carreira”, contou o atacante.

No Corinthians, Severino, sócio do clube, voltou a interferir no destino do filho. Recusou pelo menos dois convites para levar o garoto para o São Paulo. Até que em 2007 Emerson Leão apostou em seu filho. “Tenho que agradecer muito ao Leão. O Corinthians estava numa draga, ele bancou o Willian. Disse: ‘vai entrar, e se der errado a responsabilidade vai ser minha, eu respondo. Além disso, deu muitos conselhos para ele sobre balada, mulherada. O Willian nunca teve problema, mas sabe como é, o garoto chega no Corinthians a mulherada começa a encostar, e o menino perde o foco”, afirmou Severino.

Foram cerca de sete meses na equipe principal, até que veio uma proposta do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Com uma dívida para pagar da compra do atacante Nilmar, o clube do Parque São Jorge se desfez do atacante promissor.

Willian desembarcou em Donetsk para enfrentar tempos difíceis. Não era aproveitado pelo treinador até que em 2009 seu pai foi chamado para renovar contrato com os ucranianos e teve participação polêmica. Exigiu até garantia de titularidade na maioria das partidas do time.

“Pediram para eu mostrar que o Willian não estava lá por dinheiro. Respondi que era por dinheiro, senão teria ficado no Corinthians. Mas disse que não era só por dinheiro. Pedi uma cláusula no contrato que garantia que ele jogaria 75% dos jogos, se estivesse bem. E pedi também a camisa 10. Eles aceitaram”, relembra o pai do atacante.

Em 2013, ano em que Neymar pai foi o personagem central da transferência do filho para o Barcelona, Severino se mexeu para conseguir uma transferência para Willian. Procurou o empresário iraniano Kia Joorabchian na Inglaterra. Pediu ajuda para levar o filho para um clube maior da Europa. “O Willian foi vendido por 35 milhões de euros para o Anzhi (Rússia), mas o clube sabia que ele ficaria pouco tempo lá. Foi só porque era mais difícil de o Shakhtar negociar com um grande da Europa. Seis meses depois, ele foi vendido por mais 35 milhões de euros para o Chelsea”, contou o pai do atacante.

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Fonte: Uol

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