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Bin Laden preparava o filho para comandar Al Qaeda

Atualizado há

Incapacidade de substituir chefes mortos teria levado Bin Laden a considerar Hamza, hoje com quase 30 anos, ao posto de comandante da Al Qaeda.

Novas informações presentes em documentos divulgados nesta quarta-feira pelo governo dos Estados Unidos mostram que o terrorista Osama Bin Laden tinha a intenção de entregar o comando da rede Al Qaeda para seu filho Hamza, hoje com quase 30 anos. A agência France-Presse teve acesso a duas cartas do jovem ao pai e a uma carta da mãe, em que ela implora para o filho seguir os passos de Bin Laden. Os arquivos incluem correspondências em que Hamza diz ter concluído um treinamento com explosivos e outras em que ressalta o desejo de retornar ao círculo mais próximo do chefe da Al Qaeda. Acredita-se que ele tenha participado de ataques e produzido vídeos de propaganda quando era apenas um adolescente.

As cartas estão entre as centenas de páginas encontradas por integrantes de um comando americano em 2 de maio de 2011, quando os militares invadiram o esconderijo de Bin Laden em Abbottabad e o mataram a tiros. Agências americanas de inteligência tornaram públicos mais de 100 documentos encontrados no arquivo de Bin Laden. A agência France-Presse obteve acesso exclusivo aos documentos antes da divulgação.

Jeff Anchukaitis, porta-voz do diretor de Inteligência Nacional, afirmou que a divulgação de uma boa parte dos documentos obtidos na operação tem como objetivo cumprir com a determinação do presidente Barack Obama de “mais transparência”. A divulgação do material acontece poucos dias depois do premiado jornalista americano Seymour Hersh afirmar em um artigo que a narrativa oficial de Washington sobre a busca e morte de Bin Laden está repleta de mentiras.

Analistas de segurança dizem que os documentos demonstram o enorme custo que as operações de combate tiveram para a Al Qaeda, incluindo a incapacidade de substituir chefes mortos ou capturados. Ainda persistem especulações sobre qual seria o paradeiro de Hamza. Não há nenhuma prova de que ele tenha passado por Abbottabad antes da morte de Bin Laden.

Cuidado com a segurança – Outros documentos também revelam o estado de ânimo do fundador da Al Qaeda, seus debates sobre tática, a ansiedade com a espionagem ocidental e sua obsessão com a imagem pública de sua organização. Bin Laden pediu a seus seguidores que se concentrassem em atacar os Estados Unidos e evitassem uma luta interna entre os muçulmanos. “O foco deve ser matar e lutar contra os americanos e seus representantes”, escreveu o terrorista. Em uma das cartas, Bin Laden menciona a oposição pública na população americana à Guerra do Vietnã e argumenta que a única forma de alterar a política externa dos Estados Unidos é “começar a atacar a América para forçá-la a abandonar estes governantes e deixar os muçulmanos em paz”.

Com temas que vão de discussões estratégicas e teológicas a detalhes mundanos sobre administração ou medidas de segurança, os documentos mostram a preocupação de voltar a atacar um país ocidental, da mesma maneira como os Estados Unidos foram atingidos em 11 de setembro de 2001. Consciente dos ataques com drones, Bin Laden se refere frequentemente a preocupações com a segurança e aconselha os auxiliares a evitar o uso de e-mails. Em outros documentos, Bin Laden critica os seus seguidores por encontros em grupos numerosos e alerta sobre dispositivos eletrônicos microscópicos que podem ser injetados em objetos ou roupas de algumas de suas mulheres.

Mas os documentos também revelam divisões entre os militantes sobre como executar as campanhas. Bin Laden alerta que conflitos com regimes no Oriente Médio poderiam distrair os militantes de atacar o que considerava o inimigo real: Estados Unidos. O chefe da Al Qaeda foi tomado de surpresa pelas revoltas nos países árabes a partir de 2010, mas pressionou seus auxiliares a aproveitar o momento de “revolução” para conseguir penetrar entre os jovens muçulmanos.

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Fonte: Veja

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