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Bandidos do Paraguai usam Suriname para enviar cigarro ilícito ao Brasil

Além das novas rotas, o crescimento do contrabando no Nordeste preocupa as autoridades devido à sua conexão até mesmo com trabalhadores locais

Atualizado há

PARAMARIBO – O combate ao contrabando de cigarros no Brasil tem se deparado com uma mudança significativa nas rotas utilizadas pelos contrabandistas. Visando escapar da fiscalização mais rigorosa nas rotas tradicionais, criminosos agora exploram rotas via Bolívia e Suriname para fazer com que o produto ilícito alcance a Região Nordeste do país, atualmente identificada como um polo da ilegalidade.

De acordo com informações obtidas no X Seminário Fronteiras do Brasil, realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF), o contrabando de cigarros foi um tema central das discussões. André Faissal, Head de Planejamento Estratégico na British American Tobacco, destacou em sua palestra que, a partir de 2019/2020, a intensificação da fiscalização nas fronteiras tornou mais difícil o contrabando por rotas convencionais. Como resposta, as quadrilhas passaram a utilizar rotas que incluem o Chile e a Bolívia para o transporte ilegal.

Uma das rotas identificadas parte do Paraguai, onde os cigarros são fabricados, passa pela Bolívia até chegar ao Porto de Iquique, no Chile. A navegação é então iniciada até o Canal do Panamá, alcançando, por fim, o Suriname. Outra rota destina-se a levar cigarros produzidos em países do sul asiático até o Panamá, que se tornou um hub para a distribuição do contrabando. A partir do Panamá, os cigarros são enviados por navio para os estados do Norte, como a região de Belém, até atingirem o Nordeste, passando pelas Guianas.

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Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), ressaltou que o contrabando de cigarros se tornou uma fonte importante de renda para organizações criminosas, sendo estimado que menos de uma em cada dez carretas de cigarro contrabandeado é apreendida.

Além das novas rotas, o crescimento do contrabando no Nordeste preocupa as autoridades devido à sua conexão até mesmo com trabalhadores locais, como destacado por Faissal. O envolvimento de pescadores na atividade criminosa exemplifica a amplitude do problema na região de Foz do Iguaçu.

Outro ponto crítico é a proliferação de fábricas clandestinas de cigarro no Brasil. Recentemente, em 14 de novembro, uma operação conjunta envolvendo policiais federais, fiscais da Receita Federal e o Ministério do Trabalho desmantelou uma instalação em Divinópolis (MG), que explorava paraguaios em condições análogas à escravidão. Além da exploração do trabalho, é comum a prática de outras ilegalidades nessas fábricas, como a falsificação das marcas paraguaias para se adequar aos preços módicos já conhecidos pelo consumidor brasileiro.

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