ONG Anistia Internacional denuncia casos de tortura e sequestros perpetrados pelos separatistas e abusos cometidos por integrantes do Exército ucraniano.

Um ataque dos separatistas pró-Rússia com mísseis contra um posto ucraniano na fronteira russa matou nesta sexta-feira ao menos 30 soldados e guardas de fronteira, confirmou um funcionário do Ministério do Interior. O número de vítimas talvez seja ainda maior, disse Zoryan Shkyryak, um conselheiro do ministro do Interior, Arseny Avakov. Mesmo se a cifra de mortos não subir, esse já é o segundo ataque mais letal dos rebeldes contra forças do governo desde que as milícias separatistas conseguiram derrubar um avião ucraniano, matando 49 militares, há um mês.

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Os separatistas pró-Rússia lançaram o ataque por volta das 5h do horário local (0h em Brasília) contra o posto de Zelenopillya, na região de Lugansk, disseram fontes militares. “Acho que uma resposta não deve demorar para surgir depois desse sangrento ato terrorista”, disse Shkyryak. O Exército ucraniano recentemente ganhou força após retomar importantes cidades do leste do país, onde separatistas estabeleceram ‘repúblicas populares’ e dizem desejar se unir à Federação Russa.

Torturas – A Anistia Internacional (AI) denunciou nesta sexta centenas de casos de sequestros e torturas cometidos pelos separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia. A organização também criticou o uso excessivo da força pelo Exército ucraniano. “Me deram socos, me agrediram com uma cadeira e com tudo o que encontraram. Apagaram cigarros na minha perna e sofri choques. Demorou muito tempo, não sentia nada e desmaiei”, disse Sasha, de 19 anos, que foi sequestrado na cidade de Lugansk, de acordo com o relatório de denúncia da ONG.

Sasha integrava as “tropas de autodefesa” partidárias de Kiev formadas no reduto separatista. Ele afirmou que só foi liberado depois que seu pai pagou uma multa de 45.000 euros (60.000 dólares). Em seguida ele viajou para a capital Kiev. O documento da Anistia Internacional descreve sequestros, extorsões e torturas generalizadas no leste do país. A ONG destaca que não é possível estabelecer estatísticas confiáveis porque a região sofre com o caos e as autoridades não têm nenhuma intenção de registrar os incidentes ou o número de vítimas.

Mas a missão da ONU na Ucrânia já contabilizou 222 casos comprovados de sequestros, enquanto o ministério do Interior ucraniano cita 387 casos apenas entre abril e junho, incluindo 39 jornalistas. A Anistia Internacional também denunciou o abuso da força por parte das tropas ucranianas que tentam recuperar o controle dos territórios do leste. A ONG menciona um incidente em 24 de abril no qual cinco homens abriram fogo na região de Slaviansk, assim como a morte de dois civis em um tiroteio contra uma multidão em Krasnoarmeisk no dia 11 de maio.

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Fonte: Reuters

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