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Após tortura e abusos, criança ficou trancada em quarto por pelo menos dois dias até ser resgatada

Atualizado há

Mulher que ajudou vítima teve que mentir para suspeito para conseguir levá-la ao hospital.

Cleivani Marques Melo, conhecida como Loira, andava pelas ruas de Santana de Parnaíba (Grande SP) colando adesivos de sua campanha eleitoral para vereadora e visitando possíveis eleitores. Cleivani contou ao R7 que, em meio a esses encontros, é comum receber pedidos de favores por parte dos munícipes, mas ela não estava preparada para atender a uma solicitação que aparentava ser simples, mas se tornou um pesadelo ao dar de cara com uma criança de dez anos cheia de roxos pelo corpo e totalmente debilitada.

Loira passava pela rua do Lucro, 176, na última terça-feira (9), quando uma mulher a chamou amigavelmente na porta de casa, perguntando se ela seria candidata novamente.

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— Eu me aproximei e disse que sim [que era pré-candidata]. Logo ela me perguntou se eu poderia ajudá-la, porque a filha mais nova tinha caído e estava fraca, apesar dela ter dado um macarrão instantâneo e uma água de coco para ela. Eu disse que ajudaria e então ela me convidou para entrar.

Cleivani conta que a mulher, identificada como Ilda, mãe da vítima, pegou uma chave e a levou em um quarto escuro, que não tinha acesso à casa. No local, Cleivani encontrou uma garota deitada e, com dificuldade, conseguiu tirá-la da cama. Foi quando levantou a blusa da criança que notou uma série de hematomas, que não condiziam com a história contada pela mãe.

— Na hora eu disse que aquilo não era tombo. Ela [a mãe] e uma das irmãs tentavam me convencer e eu só pensava que para ela ter ficado daquela maneira teria que ter caído em um buraco muito fundo. Eu sabia que tinha algo errado. A menina só dizia, com a voz fraca, que não podia ir para um lugar que tinha muita gente. Ela estava há dois dias lá trancada.

 Segundo Loira, a mãe então orientou a filha a ir chamar o namorado da outra irmã, a Thábata, que logo estava na casa, fitando a testemunha de forma ameaçadora.

— Eu tinha que tirar aquela menina de dentro daquela casa, eu sabia que aquele rapaz tinha feito mal a ela. Foi então que decidi entrar na história da mãe e comecei a dizer que era normal crianças caírem e que ajudaria a levá-la ao hospital, onde ela seria medicada e voltaria para casa. Ele acreditou e ainda debochou da garota, dizendo que ela só tomaria um remedinho.

Com a criança e a mãe dentro do carro, Cleiviani começou a insistir para que a verdade fosse dita.

— Eu sabia que era caso de cadeia. A garota foi calada até o hospital. Quando chegamos, o telefone da mãe dela tocou e logo ela foi para o meio da rua atender e nos deixou lá. Eu peguei a cadeira de rodas e dei entrada com ela no hospital. Juntei os médicos e contei tudo o que aconteceu. O hospital chamou a polícia e o conselho tutelar. Fui embora, mas com toda aquela cena na cabeça. Estou com guia para passar no psicólogo. Como pode uma mãe se comportar daquela maneira? E pensar que aquele dia estava tão alegre.

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Fonte: R7

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