Suspeito de ataque a igreja nos EUA é acusado por mortes e posse de arma. Nove pessoas morreram durante no ataque a comunidade negra.

“Eu te perdoo, minha família te perdoa”, disse nesta sexta-feira (19) Anthony Thompson, reverendo que perdeu a esposa Myra Thompson no ataque à igreja em Charleston, ao suspeito Dylann Storm Roof, de 21 anos, numa audiência em tribunal. “Gostaríamos que você aproveitasse essa oportunidade para se arrepender… Faça isso e você será melhor do que é agora”, completou.

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Familiares de cinco vítimas do ataque estavam no local e fizeram declarações emocionadas dirigidas ao acusado. Felecia Sanders, mãe da vítima Tywanza Sanders e sobrevivente do ataque, disse: “Nós te recebemos na quarta à noite de braços abertos em nosso estudo da Bíblia. Você matou algumas das pessoas mais bonitas que eu conheço”.

“Tywanza era o meu herói. Como nós dizemos no estudo da Bíblia, nós gostamos de você, mas que Deus tenha misericórdia de ti”.

O suspeito de realizar o ataque a uma igreja de comunidade negra da Carolina do Sul na noite da última quarta recebeu nesta sexta-feira nove acusações de assassinato e outra por porte de arma de fogo pelo atentado que deixou nove pessoas mortas.

Nove pessoas morreram depois que o jovem abriu fogo contra a igreja Emanuel African Methodist Episcopal em uma comunidade negra de Charleston. Roof foi detido nesta quinta pela polícia em Shelby, na Carolina do Norte.

As autoridades dos EUA estão investigando o ataque – no qual quatro sacerdotes, incluindo um senador democrata, morreram – como um crime de ódio. O Departamento de Justiça dos EUA afirmou que analisa o caso de todos os ângulos, “incluindo como um crime de ódio e como um ato de terrorismo doméstico”.

Em sua primeira aparição depois de ser preso, Roof compareceu a uma audiência nesta sexta, em que o juiz estabeleceu fiança de US$ 1 milhão para a acusação de posse de arma. Em relação às outras acusações, o juiz disse que não tinha autoridade para estabelecer fiança.

Na audiência, Roof estava numa sala com dois guardas e evitou olhar para a câmera que o filmava e transmitia a imagem aos presentes no tribunal. Dylan falou apenas para confirmar a sua idade e que é desempregado.

Confissão
Roof teria confessado a agressão e dito que pretendia instigar novos confrontos raciais, relatou a rede CNN citando uma fonte policial. Ele se sentou junto com os paroquianos durante uma hora antes de abrir fogo, e quase não levou o atentado adiante por ter sido bem recebido, reportou a rede NBC News também citando uma fonte entre os agentes da lei.

Uma fonte da polícia teria dito à rede de TV norte-americana CNN que Dylan Roof contou aos investigadores que ele “queria começar uma guerra racial” quando foi até a igreja na noite de quarta-feira (17) e abriu fogo contra um grupo de estudo da Bíblia.

O porta-voz da polícia de Charleston, Charles Francis, não quis comentar as reportagens sobre uma possível confissão.

“Até o momento, estamos conseguindo cooperação”, afirmou outra fonte à afiliada local da ABC, a WCIV.

Duas fontes também confirmaram à NBC News que Roof confessou ser o autor da morte de nove negros.

A Carolina do Sul é um dos cinco Estados dos EUA que não têm uma lei para crimes de ódio, que normalmente impõem penalidades adicionais para crimes cometidos por causa da raça, do gênero ou da orientação sexual da vítima.

A governadora do estado, Nikki Haley, disse nesta sexta que o suspeito deveria enfrentar a pena de morte se condenado. Em entrevista à rede NBC, Haley disse “Esse é um estado machucado pelo fato de nove pessoas terem morrido inocentemente. Absolutamente iremos querer que ele enfrente a pena de morte.”

Haley também disse que quer que Roof seja acusado em instância estadual, e não federal.

Roof foi detido pela polícia poucas horas depois do ataque. Segundo a polícia, o atirador se sentou com os fiéis por cerca de uma hora antes de abrir fogo. O chefe de polícia Greg Mullen disse a repórteres que três pessoas sobreviveram ao ataque.

O acusado tem uma foto em seu perfil do Facebook em que aparece com uma jaqueta estampando a bandeira símbolo do regime do apartheid, que segregou negros e brancos na África do Sul, segundo indica a agência Reuters.

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Fonte: G1

 

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