Operação contra esquema de desvio na Saúde cumpre sete mandados de prisão e 15 de busca e apreensão nesta quinta-feira (19) em Boa Vista. Fraudes envolviam empresários, servidores e políticos.

A Polícia Federal faz na manhã desta quinta-feira (19) uma operação para desarticular um esquema de desvio de recursos públicos em licitação para fornecimento de comida a hospitais públicos de Roraima.

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De acordo com a PF, mais de 60 policiais cumprem sete mandados de prisão e 15 de busca e apreensão na operação batizada Godfather. Por volta das 8h, agentes da PF estiveram na Secretaria Estadual de Saúde. As ordens judiciais foram expedidas pela 4ª Vara Federal de Roraima, após representação policial e manifestação do Ministério Público Federal, que também atua no caso.

O esquema, de acordo com a investigação federal, ocorreu em um pregão feito em agosto de 2017 pela Secretaria de Saúde (Sesau) para fornecimento de quentinhas a diversas unidades de saúde estaduais, incluindo o Hospital Geral de Roraima.

PF fez buscas na Secretaria Estadual de Saúde, em Boa Vista — Foto: Roque Neto/ Rede Amazônica Roraima
PF fez buscas na Secretaria Estadual de Saúde, em Boa Vista — Foto: Roque Neto/ Rede Amazônica Roraima

“O objetivo seria garantir a vitória de uma empresa já investigada no âmbito da operação Escuridão, deflagrada em 2018 para apurar desvios de recursos públicos no sistema penitenciário”, detalhou o Ministério Público Federal. “Entretanto, a empresa Andolini, que em princípio não faria parte do esquema, logrou-se vencedora do certame e teria sido cooptada pela organização para a participação na fraude e no pagamentos de propinas”.

Em novembro de 2018, a operação Escuridão, também da PF, prendeu 11 pessoas, entre elas o filho da ex-governadora Suely Campos e o deputado estadual Renan Filho. À época, eles foram apontados como reais beneficiários de esquema de superfaturamento em contratos para alimentação de presos.

Agora, segundo a investigação da Godfather, a fraude envolvia pagamentos de propina para viabilizar renovação de contrato e garantia de atesto fraudulento de recebimento de refeições. Há envolvimento de empresários, servidores públicos, auditor-fiscal, ex-secretário de Saúde e “personalidades da esfera política”, conforme o MPF.

“As investigações também apontam para a atuação criminosa da empresa investigada em outros contratos, como em um com a Prefeitura de Boa Vista para fornecimento de alimentos ao Hospital da Criança Santo Antônio”, informou a PF.

O prejuízo aos cofres públicos pode ultrapassar os R$ 14 milhões, pagos pelo governo entre 2017 e abril de 2019. O nome da operação é uma referência ao protagonista de “O Poderoso Chefão”, cujo nome (Vito Andolini Corleone) coincide com o nome da principal empresa investigada.

Os investigados, de acordo com a polícia, poderão responder pelos crimes de associação criminosa, fraude em licitação, superfaturamento, extorsão, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Fonte: G1

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