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O público quer só ouvir sucesso, mas eu não”, diz Erasmo Carlos

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Erasmo Carlos conseguiu o que chama de sua “válvula de escape”. Oito meses após perder tragicamente o filho Carlos Alexandre, 40 anos, em um acidente de moto, o cantor está em vias de realizar um sonho antigo. Cantando músicas que nunca viraram grandes sucessos, ele grava, na próxima sexta (23) e no sábado (24), em São Paulo, o DVD “Meus Lados B”, recontando uma história que, por décadas (e injustamente), passou incólume por rádios e TVs.

Serão 23 faixas “obscuras”, com letras que pouco lembram as imortalizadas pelo Tremendão da jovem guarda. Entre elas, “Cachaça Mecânica”,  “Estou 10 Anos Atrasado” e a ousada “Maria Joana”, do cultuado “Carlos, Erasmo” (1971), em que Erasmo versa abertamente sobre as consequências do consumo de maconha.

As músicas, ousadas para a época, podem até ser as mesmas, mas o momento é completamente diferente. Aos 73 anos, depois de gravar três discos de rock, Erasmo hoje é abstêmio. Nem álcool ingere mais. A fissura é outra, artística: fugirao menos por ora do engessado formato das turnês, sempre guiadas por hits, revivals e as inevitáveis baladas de FM.

Gostaria de cantar sem essas divisões, sabe? De música nova, sucesso, lado B. Gosto é da mistureba, do que a gente tem vontade de tocar. Mas é aquela coisa. Você vai numa cidade que nunca foi, e o cara só quer sucesso. Quer jovem guarda,’Mulher’, ‘Sentado à Beira do Caminho’. Mas eu não sou assim”, lamenta Erasmo Carlos, que também traz a jovem guarda ao palco, mas nada de “Festa De Arromba” ou outros sucessos mais batidos. Em vez disso, algo como a romanticamente explícita “Vou Ficar Nu para Chamar Sua Atenção”.

“Todos os artistas têm esse problema de encaixar músicas novas no repertório e, ao mesmo tempo, cantar o que não foi sucesso. E eu encontrei esse caminho. É um momento em que vou estar muito feliz.”

A felicidade de Erasmo tem a ver com a nova fase. Os recentes discos “Rock ‘n’ Roll”, “Sexo” e “Gigante Gentil” deram a ele a oportunidade de redescobrir suas origens e investir em um novo tipo de público, o da geração internet: mais curioso, que não se alimenta apenas do cardárpio limitado do “mainstream”.

“Acho que o pessoal mais jovem desejava esse show. Não sei se esperavam. Eu também desejava, mas não esperava. Surgiu essa oportunidade”, diz Erasmo, que teve a ideia de tocar seus “lados B” após participar no Rio do projeto “Inusitados”, da Cidade das Artes, em que os músicos são convidados a apresentar um espetáculo diferente dos de suas turnês.

Conceito fechado, faltava apenas escolher o repertório, que obedeceu um segundo critério, o do ecleticismo, marca do artista. “Eu sou um cara mais aberto. Não sou radical igual inglês, que só sabe fazer rock inglês. Sou brasileiro. Gosto de samba, gosto de bossa nova, bicho. Vi a bossa nascer, assim como vi o rock. São influências muito grandes. Sou um um somatório de gêneros. Quero ser livre na minha inspiração.”

A liberdade de Erasmo também passa pela escolha do momento certo de se aposentar. Algo que pode muito bem jamais acontecer. “[Ter mais de 70 e seguir na ativa] É a mesma coisa.  Quero estar fazendo o que gosto. O que me arrepia, me dá prazer. Quero me divertir fazendo meu trabalho. Cantar apenas por necessidade financeira não é legal. Seria muito fácil para mim. Estaria fazendo show da jovem guarda até hoje. Eles não param nunca de me chamar.”

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Fonte: UOL

 

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