Estado de SP é maior produtor e consumidor no ramo. Produtos para públicos específicos, como terceira idade e gospel, ganham mercado.

Na prateleira do hall de entrada, cosméticos com múltiplas funções – que prometem massagens estimulantes, mais potência sexual, sensações variadas e até estreitar o canal vaginal para ter a sensação de virgindade -, além, claro, de próteses e vibradores dos mais discretos aos mais ousados. A maior fábrica de produtos eróticos e sensuais da América Latina – segundo a associação brasileira do setor – lidera o mercado que comercializou 9,5 milhões de itens por mês em 2016, e investe em inovações para turbinar relacionamentos amorosos com foco em terceira idade e público gospel, por exemplo.

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Nesta quarta-feira (6) é comemorado o Dia do Sexo. O G1 visitou a fábrica, localizada em Indaiatuba (SP), que produz 800 mil unidades por mês, tem 450 variedades de acessórios e cosméticos, e desenvolve desde a ideia até a embalagem dos artigos – passando por próteses artesanais – em uma área total de 5,8 mil metros quadrados.

A empresa está no mercado brasileiro há 15 anos e só não está presente nos estados Tocantins, Espírito Santo, Acre e Amapá. Também exporta para Colômbia, Argentina, Espanha e Estados Unidos, e mira o público de Israel, Chile, Portugal e Itália.

“Teve uma quebra de tabu muito grande. [O produto] agrega, melhora o sexo. O casal é o maior consumidor, a maior parte é o hétero, 70%”, afirma o diretor comercial da empresa, Lucas Garcia Bertipaglia.

Segundo Paula Aguiar, presidente da Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico (Abeme), o setor teve um crescimento no Brasil de 3,5% no ano passado, em relação a 2015. O estado de São Paulo se destaca com o maior mercado, concentrando 33% das vendas do país, e a região de Campinas (SP) é o segundo maior consumidor do estado.

Paula atribui a boa fase às inovações, que contemplam de pessoas acima dos 60 anos até o público gospel, com direito a apresentação dos produtos em grupos do público-alvo, incluindo até as igrejas.

“Esse crescimento é, grande parte, pelo trabalho dos empresários que estão saindo de dentros das sex shops e estão indo buscar os consumidores em outros ambientes”, diz.

Ela estima que cerca de 85% da população brasileira nunca tenha experimentado um artigo erótico, ou seja, ainda há muito a ser explorado. Com a mudança no conceito nos últimos tempos, muitas sex shops oferecem, além dos produtos, serviços como cursos de prevenção a DSTs, de pompuarismo (técnica que contrai os músculos pélvicos), empoderamento feminino, e sex coach.

“Apenas 1% do vendido no país é material pornográfico”, ressalta.

Sexo e saúde para maiores de 60

A aposta no público da terceira idade – ou melhor idade – ocorreu após o estudo das necessidades de homens e mulheres acima dos 60 anos, e garantiu o desenvolvimento de tecnologia específica pela empresa de Indaiatuba. É a primeira linha para esse nicho, segundo a Abeme. O investimento nesses usuários aumentou o faturamento em 30%, segundo o diretor comercial da empresa.

“A gente fez a embalagem mais clean e mais fácil de ler. Você indica que a embalagem é diferente para aquele público, com letra maior. Eles querem uma embalagem mais fácil de abrir. A tampinha é de girar e para apertar é como se fosse um conta-gotas.”, explica Bertipaglia.

Entre os cosméticos comercializados para esse público estão: óleo excitante para mulheres (para aumentar a libido pós menopausa), estimulador de ereção para os homens (que tendem a ter mais dificuldade nessa idade) e lubrificante de alta intensidade (a lubrificação diminui muito nessa faixa etária). O lançamento desses produtos, que chegam ao consumidor por até R$ 22, surpreendeu o diretor comercial.

“A gente fez um lote mínimo [15 mil unidades] e, em menos de uma semana, acabou. As lojas aceitaram muito bem e a reposição foi muito rápida. Hoje a linha melhor idade vende muito no Brasil. Foi muito bem aceito e a gente quer ver se até o ano que vem lança mais algum produto. O nosso lote hoje é o dobro”, conta.

A linha saudável de acessórios foi desenvolvida com o suporte de uma fisioterapeuta. Um deles é um vibrador com diversas opções de ponteiras direcionadas para tratar, por exemplo, incontinências urinária e fecal, prisão de ventre e problemas sexuais enquanto é usado na relação. Também há bolinhas para exercitar a musculatura pélvica e uma bolsa térmica em formato anatômico para relaxamento muscular.

“Isso faz com que esse público seja atendido. Muitos grupos da terceira idade começaram a debater a sua sexualidade e consumir produtos eróticos”, afirma a presidente da Abeme.

A terceira idade também consome os demais artigos, bolinhas que explodem no canal vaginal e vibradores comuns. O mais procurado da fábrica, entre todos os públicos, é uma solução para estreitar o canal vaginal, uma “viagem à virgindade”, que também é experimentada pelas maiores de 60.

Também há opções para melhorar a autoestima por outros aspectos, como cápsulas de vitamina que fortalecem cabelo e unhas.

Público evangélico em alta

O público gospel também tem representação entre as inovações do mercado nacional. Segundo a presidente da Abeme, atualmente há o trabalho de coach de relacionamentos, além de grupos de redes sociais, que permitem que os produtos eróticos e sensuais sejam disseminados com mais facilidade. Não se restringem às sex shops e o método acaba combatendo o preconceito.

“Foi uma forma da gente entrar nessa nova modalidade de identificar o consumidor onde ele está. O evangélico não entraria nas lojas, mas as vendas acontecem nas igrejas através de consultoras, em lojas comuns de lingeries, em sex shops também”, explica.

Paula Aguiar lembra que, ao debater a questão do respeito, o mercado começou a entender quais itens sensuais que estão dentro das crenças evangélicas. “Não impor a eles as nossas questões, mas, sim, acolher as questões deles”, completa.

Na fábrica esse é um público ainda em estudo para o desenvolvimento de produtos específicos, mas os evangélicos já consomem alguns itens do “cardápio”. O caminho, segundo o diretor comercial, é ter mulheres falando para mulheres.

“A empresa tem uma coach que levanta informações sobre essa tendência e faz reuniões em igrejas, leva os produtos para apresentar para esse público. Tem que usar sempre o bom senso na hora de vender o produto sensual, de falar do produto sensual”, acredita.

Ele incentiva, ainda, o uso de preservativos, e garante que não compromete o desempenho dos produtos.

Fonte: G1

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