Foto: Polícia Federal

Apontada pela Polícia Federal por de ser dona de garimpos ilegais na Terra Indígena Yanomami , Irismar Cruz Machado, conhecida como “Dona Íris” ou “Íris garimpeira”, de 55 anos, presa com armas no último fim de semana, foi citada no relatório “Yanomami sob ataque” por suspeita de ter relação com os atiradores que abriram fogo contra a comunidade Palimiú, em maio do ano passado.

Procurada, a defesa da mulher, que também tem garimpo na Guiana, informou que só vai se manifestar sobre o caso nos autos do processo.

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Dona Íris foi presa no último dia 19 por posse ilegal de arma de fogo após policiais encontrarem uma espingarda calibre 22, um revólver de calibre 38, duas pistolas de 9 e 380 mm, além de diversas munições na fazenda dela em Alto Alegre, Norte de Roraima. Ela foi liberada após o pagar fiança de R$ 45 mil e responde à investigação em liberdade.

No dia da prisão, segundo a PF, a mulher apresentou documentação de apenas uma das armas e não possuía autorização para as demais. Na delegacia ele não soube explicar a procedência das armas, conforme despacho do flagrante.

Neste mesmo documento, a PF cita a suspeita de que “o material bélico foi adquirido clandestinamente, conduta sobejamente repugnante, porquanto fomenta o comércio ilegal de armas de fogo e munições no Estado de Roraima, ainda mais em Alto Alegre, município que, lamentavelmente, vem sendo utilizado como base para o apoio logístico ao garimpo ilegal operacionalizado em terras indígenas Yanomami.”

Citada em relatório

No mesmo despacho, a PF lembrou que Dona Íris já havia sido mencionada no relatório “Yanomami sob ataque”, divulgado em abril desde ano pela Hutukara Associação Yanomami (HAY). O estudo citou que ela é dona de garimpos na reserva e que “capangas” da mulher atiraram, em diferentes oportunidades, contra os indígenas da comunidade do Palimiú.

““Dona Íris” é um desses “patrões”. Em 2021, seus capangas protagonizaram alguns dos eventos mais marcantes do ano no território Yanomami, quando homens encapuzados atiraram, em diferentes oportunidades, contra os moradores das comunidades do Palimiú, em retaliação às tentativas de bloqueio da logística garimpeira por parte de jovens Yanomami”, cita trecho do relatório usado pela PF em contexto sobre a prisão dela.

Palimiú fica às margens do Rio Uraricoera, rota usada pelos garimpeiros para acessar os acampamentos no meio da floresta. Os ataques aconteceram no dia 10 de maio de 2021.

A ação do “capangas” da suspeita, segundo o relatório da Hutukara, foi uma retaliação às tentativas de bloqueio da logística garimpeira feita por jovens Yanomami. Além disso, os indígenas também interceptaram um bote com 900 litros de combustível que seria enviado para o garimpo da mulher.

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