Entre as testemunhas estão ex-funcionária da Odebrecht e Pedro Corrêa. Na quarta (1º), Moro interrogou dois delatores da Lava Jato na mesma ação.

O juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, dará continuidade nas audiências de acusação do processo que envolve o ex-ministro Antônio Palocci nesta sexta-feira (3).

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(Correção: a reportagem errou ao informar que Moro ouviria três testemunhas de acusação em processo contra Palocci nesta sexta. Na verdade, são quatro. O erro foi corrigido às 8h21).

A ex-funcionária da Odebrecht Maria Lúcia Tavares deve ser a primeira a ser ouvida, a partir das 10h. Depois, às 14h, devem ser ouvidos o ex-deputado federal Pedro Corrêa, o operador Zwi Skornicki e o senador cassado Delcídio do Amaral.

As audiências serão realizadas na sede da Justiça Federal, em Curitiba.

Na quarta-feira (1º), o juiz interrogou o dono da empreiteira UTC Engenharia Ricardo Pessoa e o empresário Vinícius Veiga Borin.

Os dois são delatores na Lava Jato.

Pessoa afirmou que conhece Antonio Palocci e Branislav Kontic, ex-assessor do ex-ministro, mas negou que tenha discutido com os dois o pagamento de propina. Ao MPF, o empreiteiro voltou a confirmar pagamento de propina ao Partido dos Trabalhadores (PT) por meio do ex-tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

Já Borin disse que não controlava as offshores Klienfeld e Innovation – ligadas à Odebrecht, segundo as investigações. De acordo com o relato do delator à Justiça, Olívio Rodrigues Júnior era o controlador das contas. “Eu só cumpria ordens do Olívio Rodrigues”, afirmou ao juiz. O empresário confirmou que as duas contas serviam às transações financeiras da Odebrecht.

Olívio Rodrigues Júnior é apontado pelas investigações como um dos operadores das contas secretas mantidas pelo Grupo Odebrecht no exterior. Ele é réu na mesma ação penal que Palocci e responde pelo crime de lavagem de dinheiro.

O MPF pediu a desistência da oitiva de três testemunhas marcadas para quarta: o ex-diretor financeiro da UTC Walmir Pinheiro Santana e outras duas pessoas. A solicitação foi aceita e homologada.

Palocci está preso desde o dia 26 de setembro do ano passado e atualmente está detido na carceragem da Polícia Federal (PF), na capital paranaense. Ele foi ministro da Casa Civil no governo Dilma Rousseff e ministro da Fazenda de Lula – ambos do Partido dos Trabalhadores (PT).

De acordo o Ministério Público Federal (MPF), há evidências de que o Palocci e Branislav Kontic receberam propina para atuar em favor da Odebrecht, entre 2006 e o final de 2013, interferindo em decisões tomadas pelo governo federal.

O ex-ministro também teria participado de conversas sobre a compra de um terreno, onde seria construída uma nova sede do Instituto Lula.

Moro aceitou a denúncia do MPF contra o ex-ministroe outras 14 pessoas em novembro do ano passado. As denúncias tratam de crimes como corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

Suspeitas de propina
As suspeitas sobre Palocci na Lava Jato surgiram na delação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Ele disse que, em 2010, o doleiro Alberto Youssef lhe pediu R$ 2 milhões da cota de propinas do PP para a campanha presidencial da ex-presidente Dilma Rousseff. O pedido teria sido feito por encomenda de Palocci. Youssef cumpre pena em regime domiciliar.

No caso específico da denúncia, a denúncia trata de pagamentos feitos para beneficiar a empresa SeteBrasil, que fechou contratos com a Petrobras para a construção de 21 sondas de perfuração no pré-sal. O caso foi delatado pelo ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco.

O MPF acredita que o valor pago pela Odebrecht a título de propina pela intermediação do negócio chegou a R$ 252.586.466,55. Esse valor foi dividido entre as pessoas que aparecem na denúncia. Em troca disso, a Odebrecht firmou contratos que, somados, chegaram a R$ 28 bilhões.

Fonte:G1

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