O Brasil coordenará a criação de uma força-tarefa internacional, envolvendo os países da América do Sul, para combater o crime organizado que controla o tráfico de drogas e de armas no continente. Ministros da Justiça de Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Uruguai se reunirão em Brasília, em 23 e 24 de junho, para dar início à criação de um fórum permanente de enfrentamento às quadrilhas que operam no continente.

A ideia, segundo informou o ministro da Justiça, Anderson Torres, não é apenas trocar informações, mas integrar serviços de inteligência e ações policiais nesse enfrentamento. “O crime não respeita fronteiras, então, de alguma forma, nós precisamos estar juntos, trabalhando no mesmo local, produzindo inteligência, produzindo conhecimento, trocando informações e facilitando as investigações para que a gente possa fazer frente a tudo o que está acontecendo na América do Sul”, disse o ministro ao apresentar o projeto de enfrentamento integrado ao crime transnacional.

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O Brasil apresentará aos países convidados os resultados de um plano de colaboração já em andamento com a polícia do Paraguai, a Operação Nova Aliança, que, só no ano passado, apreendeu mais de 5,4 mil toneladas de maconha, que correspondem a 80% de tudo o que foi apreendido em todo o mundo em 2021. O volume foi cinco vezes maior do que o registrado em 2020. Nos primeiros quatro meses deste ano, apenas do lado brasileiro da fronteira com o Paraguai, o volume de apreensões soma 137 toneladas da droga.

No combate ao tráfico de armas, o resultado das ações policiais nas fronteiras brasileiras também foi expressivo no ano passado, com o confisco de 2 mil armas, quase o dobro das apreensões de 2020 (1,3 mil). Nos primeiros quatro meses deste ano, 506 armas foram tiradas das quadrilhas em operações policiais.

Inteligência para combater quadrilhas

Mas as apreensões recorde são só a ponta do problema. Por isso, o ministro Anderson Torres reforçou a importância de combater as quadrilhas internacionais com inteligência, para rastrear e apreender o dinheiro movimentado pelas organizações criminosas.

“Nosso objetivo é descapitalizar as organizações criminosas, nosso trabalho de inteligência, de investigação, é todo voltado a identificar essas organizações, levantar bens, patrimônio, como agem, como lavam esse dinheiro. Vamos prender essas pessoas, apreender esses bens, trazer esse dinheiro de volta para (financiar) a repressão ao próprio crime. É o que a gente chama de visão capitalista de combate ao crime organizado: tirar o dinheiro do tráfico, do crime, para ser usado contra o próprio crime”, explicou o ministro.

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