Vítima ficou com cicatrizes disformes e movimento do braço comprometido. Condenado já cumpre pena por outros crimes em regime fechado no RN.

O ex-médico Denísio Marcelo Caron foi condenado a três anos e seis meses de prisão por causar lesão corporal gravíssima à paciente Sheila Marques Silva. Segundo a decisão, a vítima passou por cirurgia para redução dos seios e retirada de excesso de pele nos braços, mas sofreu lesões que comprometeram o movimento do braço esquerdo e deixaram a vítima com cicatrizes deformadas.

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A decisão foi do juiz Marcelo Fleury Curado Dias, da 9ª Vara Criminal da comarca de Goiânia e foi divulgada pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) nesta terça-feira (16). No entanto, a o documento foi expedido no último dia 28 de julho.

O advogado de Caron, Ricardo Naves, afirmou que vai pedir que o cliente seja liberado da pena. “Vou a requerer a extinção da punibilidade, ou pena, porque o caso é de 2005 e está prescrito. Isso significa que o estado perdeu o direito de punir já que a pena aplicada é de três anos e seis meses e, uma pena de até quatro anos, prescrevem oito e esse caso já tem 11 anos”, afirmou.

Conforme o documento, a cirurgia aconteceu em 11 de janeiro de 2000 em uma clínica do Setor Marista, bairro nobre de Goiânia. No entanto, a denúncia foi aceita em dezembro de 2005.

Na denúncia feita pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), consta que Caron é formado em medicina e fez estágio na área de cirurgia plástica de um hospital em Campinas (SP), no entanto, foi reprovado para residência na área no mesmo local. Ainda assim, conforme o texto citado na decisão, o condenado fez inserir em um certificado da unidade de saúde “a falsa declaração de que: ‘concluiu seu programa de treinamento na área de Cirurgia Plástica’”.

O juiz Dias afirma na decisão que Caron alegou, durante interrogatório, que estava apto a realizar os procedimentos e que as acusações feitas pela vítima não eram verdadeiras.

Conforme o documento, ficou comprovado que Caron realizou a operação mesmo sem ser especialista. “Não havendo dúvida de que o acusado, médico sem habilitação em cirurgia plástica, realizou procedimento que resultou em deformidade permanente e debilidade de movimentação do braço esquerdo da vítima, detectadas pela perícia técnica”.

Processos
Paulista de São José do Rio Preto, Denísio Marcelo Caron clinicava em Goiânia e Distrito Federal, mas teve o registro de médico cassado em dezembro de 2012 pelo Conselho Federal de Medicina por exercício ilegal da profissão. Ele responde na Justiça pelas mortes de cinco mulheres, todas vítimas de complicações após cirurgias de lipoaspiração.

A primeira foi Vera Lúcia Teodoro, de 39 anos, que morreu no dia 22 de maio de 2000, em Goiânia, 24 horas após fazer uma lipoaspiração e plástica nos seios com o ex-médico.

Já em 2009, Caron foi condenado a 8 anos de prisão em regime semiaberto pela morte de Janet Virgínia Novais Falleiro de Figueiredo. Advogada, ela tinha 43 anos. Janet era ex-concunhada de Caron e teve o intestino perfurado em uma cirurgia de lipoaspiração, fato ocorrido em janeiro de 2001. Ele também foi sentenciado a pagar indenização de R$ 30 mil aos familiares da vítima.

Ainda em 2009, o ex-médico foi novamente condenado, sendo sentenciado a 29 anos no regime fechado e a um ano em regime aberto pelas mortes de mais duas pacientes: Adcélia Martins de Souza, de 39 anos, e Graziela Murta, universitária de 26 anos. Ambas morreram em 2002, no Distrito Federal, também vítimas de complicações após cirurgias.

Em março de 2001 a oficial de Justiça Flávia de Oliveira Rosa, de 23 anos, morreu, seis dias após se submeter a uma cirurgia de lipoaspiração. Segundo o MP-GO, durante o procedimento, o ex-médico perfurou o fígado da vítima. Caron foi condenado por homicídio culposo, mas júri foi anulado.

Além de ser apontado como responsável pela morte das cinco mulheres, Marcelo Caron ainda foi processado 25 vezes na Justiça de Goiás e também responde a um processo por estelionato, além de 19 acusações por lesão corporal.

Prisão
Caron está preso no Rio Grande do Norte desde agosto de 2012. Na ocasião, ele tinha um mandado de prisão preventiva por lesão corporal grave em aberto e foi flagrado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) ao tentar passar por uma barreira em uma estrada de Caguaretema, no litoral norte potiguar. Após receber voz de prisão, ele foi levado ao Centro de Detenção Provisória de Pirangi, na zona sul de Natal.

Em 2013, foi transferido para a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta. Em novembro de 2015, ele foi filmado atuando como dentista dentro da unidade.

Fonte: G1

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