PARAMARIBO – Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou na última quinta-feira que o governo norte-americano responderá com firmeza caso a Venezuela ataque a Guiana, em meio a uma disputa territorial envolvendo vastas reservas de petróleo e gás. Rubio destacou que qualquer agressão venezuelana resultaria em “um dia muito ruim” para o país governado por Nicolás Maduro.
A declaração foi dada durante a segunda etapa da visita de Rubio ao Caribe, onde os EUA buscam fortalecer alianças estratégicas para promover a independência energética da região, bem como combater o tráfico de drogas, a imigração ilegal e a violência de gangues. Em Georgetown, capital guianense, Rubio se reuniu com o presidente Irfaan Ali e outras autoridades antes de seguir para o Suriname.
Durante uma coletiva de imprensa conjunta, ele criticou as ações venezuelanas e alertou para possíveis retaliações. “As ameaças regionais são baseadas em reivindicações territoriais ilegítimas de um regime de narcotáfico”, disse Rubio. “E quero ser claro: haverá consequências para o aventureirismo e para a agressão.”
Escalada de tensão e resposta dos EUA
A Guiana, que abriga expressivos campos de petróleo offshore, tem sido alvo de investidas da Venezuela, que reivindica a região de Essequibo, equivalente a dois terços do território guianense. No início do mês, um navio da marinha venezuelana entrou em águas disputadas, próximas a uma plataforma operada pela ExxonMobil, o que intensificou os temores de um possível conflito. Rubio enfatizou que qualquer nova incursão será respondida de forma contundente.
“Seria um dia muito ruim para o regime venezuelano se eles atacassem a Guiana, a ExxonMobil ou qualquer coisa semelhante. Não acabaria bem para eles”, disse. A declaração provocou reação imediata do governo venezuelano. A vice-presidente Delcy Rodríguez afirmou que Caracas jamais abrirá mão da disputa territorial e acusou os EUA e a Guiana de “minar a paz e a estabilidade da região”.
Em resposta às tensões, os EUA assinaram um acordo de segurança com o governo guianense, ampliando o compartilhamento de inteligência e a cooperação militar. Paralelamente, a Marinha dos EUA iniciou exercícios navais conjuntos com a Guiana, envolvendo o cruzador USS Normandy e embarcações locais. O presidente guianense, Irfaan Ali, expressou confiança no apoio dos EUA. “Saudamos a reafirmação de Rubio sobre o compromisso dos EUA em garantir a integridade e soberania territorial da Guiana”, disse.
A política de sanções dos EUA contra a Venezuela também tem se intensificado. O governo Trump recentemente impôs tarifas de 25% sobre produtos de países que importam petróleo venezuelano, reforçando seu objetivo de isolar economicamente o regime de Maduro. Durante sua breve passagem pelo Suriname, Rubio incentivou investimentos de empresas norte-americanas no país e criticou os projetos de infraestrutura financiados pela China na região, alegando baixa qualidade das obras.