Familiares relatam dificuldades para transporte do corpo do amazonense. Segundo eles, só há um médico legista no país vizinho.

O enfermeiro Raimundo Antônio Vale Lopes, de 33 anos, passou mal e morreu durante visita à cidade de Lethem, na Guiana. O amazonense foi levado para um hospital, mas não resistiu a fortes dores no peito e morreu na sexta-feira (7). A família, que mora em Manaus, tenta transportar o corpo para o Brasil. Segundo eles, a demora na liberação ocorre por falta de médico legista para atestar a causa da morte do brasileiro. Parentes temem que Raimundo seja enterrado com indigente no país vizinho.

Publicidade

G1 não conseguiu contato com o vice-consulado do Brasil em Lethem.

De acordo com familiares do enfermeiro, Raimundo viajou de Manaus para Boa Vista de carro acompanhado de uma irmã e do filho de dois anos no dia 4. Dois dias após chegar na capital de Roraima, o enfermeiro atravessou a fronteira para fazer compras em Lethem Guiana Inglesa.

Ao chegar ao país vizinho, Raimundo Antônio começou sentir dores no peito e foi levado para um hospital. “Ele queria comprar um pneu em Lethem. Chegando lá, quando ele desceu do carro para ir até as lojas, olhou para minha irmã e disse que estava sentido uma dor muito forte. Ele disse que estava com dor no peito e que cada vez mais estava aumentando. A sorte é que meu irmão não estava dirigindo o carro e o rapaz que estava dirigindo levou até o hospital. Tentaram reanimá-lo e botaram oxigênio, mas meu irmão não acordou e foi a óbito”, relatou Maria Vale Lopes, de 36 anos, que é irmã do enfermeiro.

Após receber a notícia da morte, os familiares foram informados de que não poderiam trazer o corpo do amazonense para o Brasil. Os médicos acionaram a polícia local e informaram que somente após um médico legista atestar causa da morte que o corpo seria liberado. Porém, a cidade não dispõe de profissionais para realizar o procedimento.

“Nós estamos aqui de mãos atadas sem condições de fazer nada. O município não tem estrutura para segurar o corpo do meu irmão ali e já faz três dias hoje [domingo]. Na Guiana só tem um médico legista para o país todo, que fica indo de cidade em cidade. Ele se encontra no momento em Georgetown e sugeriram que levássemos o corpo para lá, mas não temos recursos”, disse Maria Vale ao G1.

Os médicos suspeitaram que o enfermeiro poderia ter sido envenenado, mas familiares descartam a hipótese. A irmã disse que ingeriu os mesmos alimentos que Raimundo Antônio durante a viagem.

Os parentes do enfermeiro afirmam que acionaram o vice-consulado do Brasil em Lethem para auxiliar na liberação do corpo. “O Consulado do Brasil foi até minha irmã e falou que iriam fazer o possível para tirar meu irmão durante esse final de semana, mas nada disso aconteceu. O Consulado entrou em contato e disse que não poderia tirá-lo agora, nem na segunda-feira ou terça-feira”, afirma a irmã do enfermeiro.

Fonte: G1

Comentar

Comentar