Foto: Divulgação/Comando Conjunto Norte

As empresas juniores de mineração e exploração avançaram com acordos de financiamento destinados a projetos latino-americanos em julho, com valor total de US$ 555 milhões, incluindo um grande contrato de financiamento para a construção de uma nova operação de ouro no Brasil.

As mineradoras anunciaram, avançaram ou fecharam pelo menos 11 acordos visando principalmente ativos da América Latina no mês, número que inclui ofertas de ações e empréstimos (financiamentos com valor inferior a US$ 1,5 milhão foram excluídos).

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O valor de US$ 555 milhões supera em mais de quatro vezes os US$ 133 milhões de junho, que registrou o progresso de 27 acordos, e os US$ 111 milhões de maio, mas fica abaixo do pico de 2022 de US$ 966 milhões em março.

Os acordos têm como objetivo principal o avanço de atividades de exploração, aquisições e desenvolvimento de projetos de mineração.

BRASIL, FOCO NO OURO

Um único pacote de financiamento de US$ 481 milhões para o desenvolvimento do projeto de ouro Tocantinzinho, da G Mining Ventures, no Brasil (foto) corresponde à maior parte do total do mês de julho.

Dos 10 acordos restantes, que somam US$ 74 milhões, seis foram destinados a ativos de ouro, com o valor combinado de US$ 51 milhões. O restante visa ativos de prata, cobre e urânio.

Dois dos 10 acordos foram direcionados a projetos na Guiana, no valor de US$ 33,5 milhões. Quatro deles visavam ativos mexicanos, com um valor de US$ 20,4 milhões.

Os demais financiamentos foram destinados a projetos na Argentina, Peru, Equador e Colômbia.

PRINCIPAIS ACORDOS DE JULHO

1. G Mining Ventures: US$ 481 milhões

Alvo: Brasil, ouro

A G Mining anunciou compromissos vinculativos para um pacote de financiamento de construção de US$ 481 milhões para seu projeto de ouro Tocantinzinho, no Brasil, no dia 18 de julho.

O valor inclui um fluxo de ouro de US$ 250 milhões e um empréstimo de US$ 75 milhões da Franco-Nevada, que já foi fechado.

A Franco-Nevada também participará com o valor de US$ 27,5 milhões de uma colocação privada de US$ 116 milhões por investidores estratégicos, que também incluem La Mancha Investments (investindo US$ 68,8 milhões) e Eldorado Gold (US$ 20 milhões).

A empresa levantou US$ 98,5 milhões na primeira tranche da colocação, em 22 de julho, com uma tranche final prevista para conclusão no terceiro trimestre.

A G Mining também anunciou um financiamento de equipamentos de US$ 40 milhões com a Caterpillar Financial Services.

Quando o pacote de financiamento for concluído, a construção de Tocantinzinho será totalmente financiada. A primeira produção está prevista para o segundo semestre de 2024.

“Com base no nosso estudo de viabilidade positivo divulgado no início deste ano, este pacote de financiamento marca o próximo passo no avanço da G Mining e nos permite continuar liberando valor no projeto Tocantinzinho”, disse o CEO Louis-Pierre Gignac em um comunicado.

O estudo de viabilidade estima o capital de desenvolvimento em US$ 458 milhões, com o projeto entregando 175.000 onças/ano de ouro durante uma vida inicial de 10,5 anos.

A TIR pós-imposto é de 24%, com preço de ouro de US$ 1.600/oz.

2. Reunion Gold: C$ 36,8 milhões (US$ 28,6 milhões)

Alvo: Guiana, ouro

A Reunion Gold levantou C$ 36,8 milhões para financiar a exploração focada principalmente em seu projeto Oko West, na Guiana, bem como para fins corporativos e de capital de giro em geral.

O financiamento compreendeu uma colocação privada de C$ 30,7 milhões, subscrita pela Sprott Capital Partners, e uma colocação privada não intermediada de C$ 6,1 milhões.

As duas operações foram fechadas em 8 de julho.

A empresa, que também tem projetos no Suriname e na Guiana Francesa, planeja liberar um recurso inaugural em Oko West no terceiro trimestre, após concluir um programa de exploração em agosto, e iniciar trabalhos metalúrgicos detalhados e estudos de base ambientais.

3. Guanajuato Silver: US$ 10,7 milhões

Alvo: México, prata

A Guanajuato Silver (GSilver) levantou C$ 13,8 milhões (US$ 10,7 milhões) em um financiamento de capital em 21 de julho, que ajudará a financiar sua aquisição planejada dos ativos mexicanos da Great Panther Mining.

Após o acordo de US$ 14,7 milhões, anunciado em junho, a GSilver vai adquirir a produção da mina Topia e dos ativos suspensos de San Ignacio e Valenciana (antigo complexo de minas de Guanajuato), que planeja devolver rapidamente à produção, informou o CEO James Anderson à BNamericas em julho.

A empresa também assinou uma linha de crédito de pré-pagamento de concentrado de US$ 5 milhões com a empresa de off-take e trading Ocean Partners (Reino Unido) em junho.

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