Com mais um ouro e uma prata em Toronto, nadador de 29 anos bate o recorde de medalhas pan-americanas de cubano: “Nunca imaginei estar vivendo isso agora”

No dia 12 de agosto de 2003, Thiago Pereira subia no bloco para buscar sua primeira medalha pan-americana. Aquele bronze surpreendente nos 400m medley de Santo Domingo, aos 17 anos, colocava o menino de Volta Redonda no mapa da natação internacional. Parecia muito. Mas nem tanto perto do que ainda estava por vir. Vinte e duas outras medalhas “escolheriam” o mesmo destino nos 12 anos seguintes. Quinze delas de ouro. As duas últimas com direito a desfecho especial, desses digno de último capítulo de novela das 21h. O final feliz teve a prata nos 200m medley, a ouro no 4x100m medley e o título de maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos.

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A penúltima medalha do brasileiro em Toronto veio em uma de suas provas preferidas, os 200m medley, a prata, com o tempo de 1m57s42. Thiago ficou atrás apenas do compatriota Henrique Rodrigues, que fez o excelente tempo de 1m57s03, terceira melhor marca de 2015. Na última disputa da natação na competição canadense, veio a medalha derradeira. Da arquibancada, o brasileiro viu seus amigos Guilherme Guido, Felipe França, Arthur Mendes e Marcelo Chierighini conquistarem seu 23º pódio, com o ouro, em 3m32s68. Mesmo sem ter participado do quarteto na final, os nadadores que disputam as eliminatórias também recebem medalha..

Após o feito, Thiago viajou rapidamente ao seu passado e lembrou do começo de sua jornada em edições de Jogos Pan-Americanos. Emocionado, disse que jamais poderia imaginar que chegaria tão longe e entraria na história. Em meios aos triunfos, não deixou de lembrar dos momentos difíceis.

– O legal disso tudo é que a gente vai vivendo dia a dia e muitas vezes não pensa em tudo que a gente fez, que conquistou. Quando a gente é moleque, só pensa no próximo passo. Fui para Santo Domingo (Pan de 2003) e nunca imaginei estar vivendo isso agora. Foi sendo construído ano a ano, muitas batalhas. Alguns sentimentos, lógico, de tristeza. Fui quarto colocado várias vezes e cansei de ouvir que nunca ia deixar de ser quarto. E minha medalha olímpica veio, e não foi de maneira fácil – lembrou Thiago, após nadar os 200m medley.

O menino de 17 anos distribuiu o seu cartão de visitas em Santo Domingo 2003 com categoria. A revelação brasileira da modalidade na época surpreendeu ao suportou a pressão da estreia e abrir o placar na contagem de medalhas, com a prata nos 200m medley e o bronze nos 400m medley. Mas foi no Pan Rio 2007 que o nadador de Volta Redonda virou o queridinho da torcida brasileira. Nadando em casa, simplesmente fez a festa, com seis ouros, uma prata e um bronze. Para completar, bateu o recorde de número de medalhas em uma mesma edição.

Na última edição dos Jogos, em Guadalajara 2011, Thiago repetiu o admirável desempenho do Rio de Janeiro. Novamente oito medalhas, sendo seis ouros, uma prata e um bronze. O “bônus” no México foi o status de brasileiro com mais títulos pan-americanos no total: 12. Quatro anos depois – com direito a uma medalha olímpica de prata no meio – Thiago Pereira chegou a Toronto disposto a nadar oito provas em busca das cinco medalhas que faltavam para ultrapassar o ex-ginasta cubano Érick Lopez Rios no ranking dos maiores medalhistas da história da competição.

A maratona esperada para o Canadá, no entanto, precisou ser adaptada. Aos 29 anos, o medalhista de prata nas Olimpíadas de Londres 2012 sentiu o cansaço durante a semana de disputas e desistiu de duas provas (100m costas e 100m borboleta). Restaram seis provas para cinco medalhas. Em uma delas, nos 400m medley, Thiago foi ouro, mas acabou desclassificado. Com isso, depois de ter faturado nos primeiros dias dois ouros (4x100m livre e 4x200m livre) e um bronze (200m peito), chegou ao último dia dependendo das duas medalhas nas duas provas que estava inscrito (200m medley e 4x100m medley).

– Como um dos atletas mais importantes da natação do Brasil, tinha que voltar. Sabia que o nosso país precisava de mim. É uma força a mais. Não podia deixar que isso me abalasse e não tem muito o que choramingar – diz Thiago, lembrando o imprevisto em Toronto.

Antes de embarcar para a disputa do Mundial de Esportes Aquáticos de Kazan, na Rússia, Thiago Pereira quer celebrar um pouco. Curtir cada minuto a sua ampliada e histórica coleção de medalhas pan-americanas que agora tem em sua estante. Sobre a possibilidade de voltar a nadar no próximo Pan, daqui a quatro, preferiu não falar em decisão.

– Eu fiz sempre meus ciclos de quatro em quatro anos. Toda a minha carreira sempre fiz pensando nos próximos Jogos Olímpicos. Vamos para o Rio, depois a gente pensa no próximo ciclo. Acho que muita coisa pode acontecer. São quatro anos. Não vou falar que vou estar, nem que não vou estar. Vou deixar rolar cada ano. E vamos embora para o Rio. Me sinto bem iluminado com tudo que tive na minha carreira e o que venho conquistando.

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Fonte: Globo Esporte

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