País já teve 294 massacres com armas de fogo nos 274 dias de 2015.

O número de pessoas mortas em incidentes com armas de fogo nos Estados Unidos entre 2001 e 2011 é mais de 40 vezes maior do que o de mortos em ataques terroristas, segundo dados do Departamento de Justiça e do Conselho de Relações Exteriores americano.

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Na quinta-feira (1º), nove pessoas foram mortas e sete ficaram feridas em um massacre em uma faculdade do Estado de Oregon e, em seguida, o próprio atirador foi morto pela polícia.

Enfrentando uma dura oposição a suas iniciativas para criar leis mais duras de porte de armas, o presidente Barack Obama pediu à imprensa nesta quinta-feira que comparasse o número de cidadãos americanos mortos por terrorismo com os mortos pela violência com armas de fogo para dar à população a dimensão do problema.

Ao fazer um pronunciamento sobre a chacina em Oregon, nesta quinta-feira, o presidente demonstrou estar alternadamente irritado, desgastado e aparentemente resignado a lidar com a difícil oposição que enfrenta sobre o tema no Congresso.

“De alguma maneira, isso se tornou rotina. Estas notícias viraram rotina. Minha resposta aqui nesse pódio acaba se tornando rotineira”, disse.

Obama voltou a comparar a resposta dos EUA à de países como Reino Unido e Austrália, endureceram suas leis de porte de armas em resposta a massacres.

“Sabemos que outros países conseguiram elaborar leis que praticamente eliminaram esses massacres”, disse o presidente. “Então sabemos que há formas de prevenir isso.”

Essa foi a 15ª vez que Obama se pronunciou ou divulgou comunicado sobre um massacre desde início de seu governo, em 2009. Mas as mortes no Oregon foram o 994º massacre ocorrido apenas em seu segundo mandato, iniciado em novembro de 2012.

As estatísticas da violência com armas de fogo nos Estados Unidos revelam quão rotineiros são os massacres e outros incidentes com armas de fogo em um país com quase tantas armas quanto pessoas.

Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e o Conselho de Relações Exteriores, 11.385 pessoas morreram anualmente, em média, em incidentes com armas de fogo entre 2001 e 2011.

No mesmo período, uma média de 517 pessoas foram mortas anualmente em ataques relacionados ao terrorismo. Excluindo-se o atentado ao World Trade Center, em 2001, essa média anual cai para 31 mortos.

Só em 2015

Até o dia 1º de outubro de 2015, ocorreram neste ano 294 massacres com armas de fogo no país – episódios em que quatro ou mais pessoas são mortas ou feridas por armas –, mais que um por dia.

No mesmo período, houve 45 massacres em escolas e 142 incidentes do tipo desde o massacre na escola primária de Sandy Hook, no dia 14 de dezembro de 2012 – apesar de estes dados também incluírem ocasiões em que uma arma foi disparada, mas não houve feridos.

Mas se os massacres em escolas e outros capturam a atenção do mundo, a maioria das mortes por armas nos Estados Unidos são incidentes menores e, muitas vezes, pouco reportados.

De acordo com o levantamento da ONG Gun Violence Archive, 9.956 pessoas foram mortas por armas de fogo até agora neste ano e mais de 20 mil ficaram feridas.

Na verdade, tantas pessoas morrem a cada ano no país em incidentes com armas de fogo que a contagem de mortes entre 1968 e 2011 é maior do que a de mortes em todas as guerras das quais o país já participou.

De acordo com uma pesquisa do Politifact, projeto de checagem de dados do jornal Tampa Bay Times, houve cerca de 1,4 milhão de mortes por armas de fogo nesse período, em comparação com 1,2 milhão de mortes em todos os conflitos de sua história, desde a guerra da Independência até a guerra do Iraque.

Não há dados oficiais sobre o número de armas nos Estados Unidos, mas acredita-se que sejam cerca de 300 milhões, concentradas nas mãos de aproximadamente um terço da população. Isso é quase um número suficiente para que cada homem, mulher e criança do país possua uma.

O direito de cidadãos a possuírem armas é protegido pela Segunda Emenda da Constituição americana e defendida ferozmente por grupos de lobby como Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês), que se gabou de ter cerca de 5 milhões de membros logo após o massacre em Sandy Hook.

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Fonte: R7

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