Presidente da Câmara diz que não aceitar constrangimento e fala que é “pedra no sapato”

Após anunciar o rompimento oficial com o governo e se dizer da oposição , o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta sexta-feira (17) que não vai aceitar estar junto da lama em que estão imersos os suspeitos de irregularidades em contratos com a Petrobras, especialmente o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

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— Essa lama a qual esta envolvida a Petrobras, cujos tesoureiros do PT estão presos, essa lama eu não vou aceitar estar junto dela. Não vou aceitar ser constrangindo.

Cunha anunciou mais cedo o rompimento pessoal dele com o governo e avisou que vai trabalhar para que seu partido, o PMDB, rompa também com a gestão Dilma. O presidente da Câmara disse que o governo nunca o engoliu.

— O governo sempre me viu como uma pedra no sapato […]. O governo não me queria, não me quis e não me quer na Presidência da Câmara. O governo me engole.

A metralhadora do presidente da Câmara alcançou ainda ministros de Dilma. Cunha afirmou que “tem um bando de aloprados no Planalto que efetivamente deveriam ser investigados”. Questionado se o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, era um dos aloprados, Cunha ficou calado e sorriu.

O parlamentar também disse ser vítima de uma “devassa fiscal” que o governo está fazendo em seus bens nos últimos cinco anos e que isso teria ajudado a tomar a decisão de rompimento com o Planalto.

 Investigações da Lava Jato

Desafeto declarado, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato em Curitiba (PR), também foi alvo de Eduardo Cunha, que disse que o magistrado se “acha dono do País”. “Indignado”, Cunha explicou que Moro está tentando fazer o trabalho do STF (Supremo Tribunal Federal).

— Eu acho estranho que o senhor Youssef falou da presidente Dilma e do ex-presidente Lula e ninguém abriu inquérito contra eles. Eu prefiro que eles apresentem a denúncia, é muito mais confortável para mim. Eu não acredito que uma denúncia contra mim seja aceita.

Em seguida, voltou as atenções ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que estaria “orquestrando” essa situação visando ser reconduzido ao cargo.

Em setembro, expira o primeiro mandato de Janot, que participa das decisões da PF (Polícia Federal) quanto às ações subsequentes da Lava Jato, como a que terminou com a apreensão do ex-presidente e senador da República Fernando Collor de Mello na última terça-feira (14).

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Fonte: R7

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