Foto: Receita Federal

O contrabando de mercadorias afeta diretamente a sociedade brasileira e dos países que fazem fronteiras, a exemplo do Suriname, Guianas, entre outros. Além de impactar negativamente o crescimento econômico, o emprego formal e a renda desses municípios, a violência é um dos indicadores que traduz os prejuízos da prática criminosa no dia a dia da população. A taxa de homicídio por 100 mil habitantes em municípios que estão na região entre o Brasil e outros países da América do Sul é até 4 vezes a média nacional, de 27,8.

A cidade de Assis Brasil, no Acre, é um reflexo desse cenário. A região registrou taxa de 109,6 mortes por 100 mil habitantes em 2018, conforme o Idesf (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras), com base em dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Localizada na tríplice fronteira entre o Brasil, o Peru e a Bolívia, o município é rota do contrabando de produtos agroquímicos e do tráfico de drogas.

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Caracaraí, conhecida como cidade porto por ter o maior movimento fluvial de Roraima, também apresentou alta taxa de homicídio no mesmo período, 106,7, de acordo com o levantamento. Na fronteira com a Guiana, o município é prejudicado por crimes como contrabando e garimpo ilegal.

O índice de mortes nas cidades fronteiriças é resultado de ambientes propícios para atos delituosos. Para o presidente do Idesf, Luciano Stremel Barros, o contrabando é a porta de entrada para a criminalidade e tem se tornado cada vez mais violento, sobretudo ao se associar ao tráfico de drogas e armas.

Segundo Barros, por causa das condições sociais, uma parcela da população dessas regiões não enxerga como crimes a importação ou a exportação de mercadoria proibida e o não pagamento de impostos, diferentemente do que pensa sobre roubo, por exemplo. “Com a aceitação social do contrabando, o tráfico viu uma grande oportunidade nele. Já o contrabando enxergou a associação como um ótimo negócio, porque recebia mais. Dessa forma, o contrabando emprestou a logística para o tráfico e, em contrapartida, o tráfico emprestou a violência para o contrabando”, afirmou Barros.

O domínio das rotas, a estrutura organizacional, os depósitos de cargas e a capilaridade do contrabando contribuem para essa fusão com o tráfico. Os contrabandistas de cigarro, por exemplo, operam em um sistema que atravessa todo o Brasil, da fronteira com o Paraguai até o Rio Grande do Norte. Em operações policiais, é comum a apreensão de caminhões carregados de produtos contrabandeados, cocaína, maconha e armas.

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