Acusação do governo Trump ocorreu após a China deixar o iuan cair a seu menor nível em relação ao dólar em quase uma década. Moeda chinesa se estabiliza nesta terça, mas bolsas fecham em queda.

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O Banco Central da China rebateu nesta terça-feira (6) a decisão dos Estados Unidos de classificar o país como manipulador cambial após uma forte desvalorização do iuan em relação ao dólar, em plena guerra comercial, e disse que o rótulo vai “prejudicar seriamente a ordem financeira internacional e provocar caos nos mercados financeiros”.

“Pequim se opõe firmemente” a estas declarações do secretário americano do Tesouro, Steve Mnuchin, reagiu o Banco Central, que controla diariamente o índice de câmbio da moeda chinesa.

A acusação de manipulação ocorreu após a China deixar o iuan cair a seu menor nível em relação ao dólar em quase uma década, o que gerou uma série de críticas de Trump.

A China “não usou e não vai usar a taxa de câmbio como uma ferramenta para lidar com disputas comerciais”, disse o Banco Central, acrescentando que a classificação pode “prejudicar seriamente a ordem financeira internacional e provocar caos nos mercados financeiros”, destaca a Reuters.

A instituição se comprometeu a manter a taxa de câmbio em um nível estável e razoável.

“A parte americana não levou em consideração os fatos e chamou de maneira irracional a China de manipulador da moeda”, destacou.

A acusação elevou a temperatura nas já tensas relações entre EUA e China e cumpre a promessa do presidente norte-americano, Donald Trump, de rotular a China como manipuladora cambial pela primeira vez desde 1994, levando sua disputa comercial além das tarifas.

Segundo o Global Times, influente tablóide chinês publicado pelo People’s Daily, do Partido Comunista, a decisão dos EUA foi provocada puramente por motivos políticos para “descarregar sua raiva”.

A China “não espera mais boa vontade dos Estados Unidos”, escreveu no Twitter nesta terça-feira Hu Xijin, editor do jornal.

Iuan se estabiliza mas bolsas fecham em queda

A desvalorização da moeda chinesa ocorre em meio à piora das tensões sobre a guerra comercial com os Estados Unidos, após Trump anunciar tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões restantes das importações chinesas a partir de 1º de setembro, quebrando abruptamente uma breve trégua na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Na segunda-feira, o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin disse que o governo dos Estados Unidos estabeleceu que a China está manipulando o câmbio e vai trabalhar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para eliminar competição injusta de Pequim.

Em resposta, a China anunciou que empresas do país suspenderam a compra de produtos agrícolas dos Estados Unidos.

Nesta terça, as perdas do iuan se estabilizaram depois que autoridades adotaram medidas para conter a queda da moeda. O Banco do Povo da China agiu para estabilizar o iuan com uma fixação mais forte do que o esperado e venda de títulos, para sinalizar que as autoridades desejam contar as perdas, elevando o iuan quase 0,5% contra o dólar.

No mercado externo,, a moeda chinesa se estabilizou em torno de 7,0710 por dólar depois de atingir mais cedo 7,1382, informa a Reuters.

Os ganhos vieram depois que o banco central fixou o ponto médio do iuan, que determina o ponto em torno do qual a moeda pode ser negociada, em 6,9683 por dólar, acima das expectativas do mercado.

A estabilização do iuan ajudou os principais índices acionários a reduzir parte das perdas no dia, mas ainda assim os mercados terminaram no vermelho.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, terminou com baixa de 1,07%, enquanto o índice de Xangai caiu 1,56%, no menor nível de fechamento desde fevereiro.

Fonte: G1