DNT 4400 14-11-2014 SAO PAULO - SP / NACIONAL OE / OPERACAO LAVA JATO - Presos pela investigacao Lava Jato da Policia Federal saem da sede da PF no bairro da Lapa, zona oeste de Sao Paulo - FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Pajero 2014/2015 e Toyota Corolla 2015/2016 foram vendidos

Preso durante a Operação Calicute, uma das fases da Lava Jato, e aguardando julgamento na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte do Rio, o ex-secretário de Obras da gestão Sergio Cabral, Hudson Braga, teve dois carros blindados leiloados pela Justiça Federal nesta quinta-feira (17).

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Desde o início da tarde, o homem acusado pelo Ministério Público Federal do Rio (MPF-RJ) de cobrar de empreiteiras uma “taxa de oxigênio” no valor de 1% dos contratos com o Estado não é mais o proprietário de uma Pajero 2014/2015 e de um Toyota Corolla 2015/2016. Os dois veículos foram arrematados por R$ 263,9 mil.

O leilão judicial aconteceu no auditório do Fórum Federal, no Centro do Rio. Os lances podiam ser feitos pela internet, mas os dois compradores preferiram ir pessoalmente ao pregão. Se o receio deles – um homem e uma mulher – era por uma eventual disputa pelo lance mais alto, puderam sair aliviados. Os dois foram praticamente os únicos a ocupar assentos no auditório, e acabaram arrematando os veículos pelos respectivos valores de avaliação. De forma parcelada, porque não está fácil para ninguém.

Abordados pela reportagem, nenhum dos dois quis se manifestar publicamente. A mulher, nova proprietária da Pajero blindada de cor prata, saiu com a mesma rapidez de seu lance de R$ 159 mil. O novo proprietário do Corolla blindado preto, flex, por sua vez, aceitou conversar rapidamente sobre os motivos que o levaram a comprar o veículo por R$ 104,9 mil. “É a primeira vez que venho a um leilão. Achei o carro e o preço bons”, resumiu. Ele não chegou a ver o veículo. “Confiei nas fotos e nas palavras do leiloeiro”, contou.

As palavras do leiloeiro Renato Guedes, ditas durante o pregão, apresentavam “um carro em ótimo estado, praticamente novo”. Depois do leilão, que durou cerca de 30 minutos, falou do auditório praticamente vazio.

— É normal. As pessoas que participam de leilões já estão acostumadas, então não querem perder tempo vindo. Elas deixam para ir direto ao segundo. E como agora tem a opção pela internet, muita gente que vinha para o presencial não vem mais. Caiu pelo menos 50% a presença.

A referência ao “segundo” é sobre a próxima etapa do leilão, que acontecerá no dia 28. Os lotes não arrematados nesta quinta poderão ser comprados com lance mínimo até 20% menor que o preço de avaliação. Restaram um Audi Q3 2015 e um Volvo XC 2015. Os veículos, pertencentes a Wagner Jordão Garcia – apontado pelo MPF-RJ como operador financeiro do esquema de Cabral e Braga – são avaliados em R$ 120 mil e R$ 123 mil, respectivamente.

A expectativa de Renato Guedes é de que no dia 28 mais gente esteja presente.

“Hoje até que foi atípico, de quatro bens, vender a metade. Em geral as pessoas vêm no segundo, por causa do desconto”, conta o leiloeiro, que tem 10 anos de experiência na função.

Os valores arrecadados são depositados em uma conta judicial, e ficam lá até que os réus sejam julgados – eles recebem o valor caso sejam absolvidos. O leilão foi autorizado pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. O motivo de fazer a venda o mais rápido possível é evitar a depreciação dos bens.

Fonte: R7

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