Belém está se transformando, dia a dia, pouco a pouco e infelizmente, no cenário real do game Grand Theft Auto, o famoso GTA, onde diversos crimes – do espancamento ao roubo de carro, passando por assassinato, entre outros – são cometidos e tolerados. No videogame, que vendeu mais de 85 milhões de cópias em sua última versão, a polícia assiste impotente os crimes se desenrolarem à sua frente.

No caso da Região Metropolitana de Belém (RMB), se não há impotência por parte dos agentes de segurança, eles pouco podem fazer apesar de seus esforços diários, não porque o desejem, mas porque seu cotidiano é marcado pela falta de estrutura física, armamentos defasados, salários minguados, viaturas capengas, falta de integração entre os órgãos e para sacramentar o caos: nenhuma política pública nas áreas de segurança, educação, saúde e geração de emprego e renda.

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O último exemplo desta incapacidade operacional, que não é culpa dos policiais, mas do Governo do Estado, foi a tortura e morte do sargento da Polícia Militar, Reginaldo Mecias da Silva; e do ex-guarda municipal de Marituba, Alexandre Nascimento, que foram assassinados na madrugada desta terça-feira, 24, depois de saírem juntos para fazer um “bico” como segurança.

Sem nenhuma novidade neste cenário dramático, a semana começou com muita violência. Como numa cena real de GTA, um bombeiro disparou contra cinco pessoas num posto de gasolina. No último final de semana, foram nada menos que 19 mortes violentas. Uma contabilidade macabra de causar inveja a Trevor Philips, o melhor dos matadores do game desenvolvido pela Rockstar.

No GTA, as vítimas quase sempre nem reagem, como se acostumadas fossem com tamanha violência. Qualquer semelhança com os habitantes da RMB não é pura coincidência. Gradeada e com medo de sair às ruas, a população submete seu dia-a-dia ao comando de milícias e traficantes, que ordenam o chamado crime de varejo, pequenos delitos (como assaltos a ônibus e carros, sequestros relâmpagos) que muitas vezes acabam saindo do controle e terminam em mortes ou com inocentes reféns, igualzinho ao videogame.

Fica a impressão que a única diferença entre uma partida de GTA e a violência descontrolada que impacta a vida diária de milhares de paraenses, é que no GTA quando você desliga o console a violência acaba. Na vida real em Belém, infelizmente, ela continua. Não há botão de deletar.

(DOL)

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