Mulheres obesas sofrem mais na menopausa, aponta estudo da Unicamp

Mulheres obesas sofrem mais na menopausa, aponta estudo da Unicamp

Pesquisa feita com mulheres da Região Metropolitana de Campinas (RMC), que indica incidência de calores mais severos, foi publicada nos Estados Unidos.

um estudo feito pela Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, em Campinas (SP), constatou que as mulheres obesas sofrem calores mais severos durante a menopausa. A explicação está no impacto que o tecido adiposo tem sobre elas. Ele, que já foi considerado aliado durante a transição para o período não reprodutivo da mulher, é, sim, o vilão do processo.

“A gente descobriu que as pessoas obesas, que têm índice de massa corporal acima de 30, têm mais ondas de calor e numa intensidade mais forte, mais severa, do que as mulheres que têm peso normal ou sobrepeso”, afirma a ginecologista e obstetra Lucia Costa Paiva, que orientou a pesquisa.

A análise traz os resultados da dissertação de mestrado do ginecologista Sylvio Saccomani Júnior e foi realizada com 749 moradoras de 19 cidades na Região Metropolitana de Campinas. A constatação foi reconhecida e publicada na revista norte-americana Menopause, uma das principais sobre o tema, e também foi destaque na agência internacional de notícias Reuters.

Um estudo feito nos Estados Unidos e divulgado recentemente na TV Globo aponta que mais de 10% da população mundial está obesa, e que a obesidade é mais frequente entre as mulheres.

Do total de entrevistadas no estudo da Unicamp, 206 mulheres eram obesas e 255 tinham sobrepeso.

Estrogênio

O hormônio responsável por evitar as ondas de calor é o estrogênio, que deixa de ser produzido pelos ovários com a chegada da menopausa. Como o tecido de gordura é produtor de estrogênio, chegou a ser visto como uma possibilidade de reposição tempos atrás, mas ele acaba se destacando mesmo como um isolante térmico prejudicial.

“Existe no tecido adiposo, mas não o suficiente para amenizar os sintomas. Não adianta ter estrogênio periférico se você tem uma manta muito grande que não deixa o calor dissipar”, afirma a especialista.

O efeito pode ser devastador na qualidade de vida das mulheres que sofrem esses fortes calores, por exemplo chegar a parar de trabalhar e ter reflexos na vida sexual.

“Afeta mais as atividades durante o trabalho, muitas vezes param de trabalhar. Têm mais problemas na parte sexual, têm que interromper a atividade sexual, lazer. Não é só a onda de calor em si”, diz Lucia.

Segundo ela, 70% das mulheres que chegam na menopausa têm ondas de calor.

Mapeamento e população

O estudo foi realizado a partir de um mapeamento de áreas e dados populacionais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Participaram as mulheres na faixa entre 45 e 60 anos de idade de 19 cidades. Lucia e o pesquisador e ginecologista Sylvio Saccomani Jr. usaram um questionário recomendado pelas sociedades internacionais de menopausa.

“É um ponto forte do estudo. É um resultado que veio de uma pesquisa populacional brasileira. […] Íamos para as casas dessas mulheres e fazíamos uma entrevista com diversos aspectos da menopausa. Tem a forma correta de avaliar esses sintomas, medir a severidade”, explica a médica.

Para ter representatividade, foram escolhidas duas mulheres por quarteirão, dentro da faixa etária pesquisada, e separadas por índice de massa corpórea.

Outros sintomas

Além dos calores, a pesquisadora destaca outros sintomas relatados pelas mulheres, como secura vaginal, incontinência urinária e problemas nas articulações. O sono também acaba sendo prejudicado. As reclamações sobre esses sintomas foram aumentando nas mulheres acima do peso.

A frequência dos calores pode variar, desde ondas mais fracas, diárias ou até repetidas vezes ao dia.

“Dura alguns anos, nos primeiros três a cinco anos depois da última menstruação, normalmente, e depois diminui. Mas, tem gente que [o calor] dura dez anos”, ressalta Lucia.

Tratamento

A especialista chama a atenção para a importância dos serviços de saúde pública no tratamento dos sintomas e, principalmente, da questão da obesidade, que também aumenta o risco de problemas cardiovasculares, por exemplo. A perda de peso é crucial e há casos em que a mulher pode fazer reposição hormonal.

“As mulheres que conseguem perder peso podem ter melhora dos sintomas da menopausa, somente pela perda de peso. […] Melhorar a alimentação, perder peso, atividade física. E procurar um médico para ver se é o caso de usar hormônio”, completa.

Fonte: G1

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