Lula esteve em reunião que acertou propina na Petrobras, diz Palocci

Lula esteve em reunião que acertou propina na Petrobras, diz Palocci

Valor de contrato superfaturado da estatal seria utilizado na campanha de Dilma, em 2010; informação consta na delação premiada do ex-ministro

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria participado de uma reunião no Palácio do Planalto, em que foi acertado o pagamento de propina para a campanha de Dilma Rousseff em 2010, envolvendo a construção de 40 navios-sonda da Petrobras.

A informação consta em um trecho do acordo de delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci, que estava em sigilo até esta segunda-feira (1º).

No documento, Palocci detalha o tema da reunião.

“Que, inclusive, pode afirmar que participou de reunião, no início de 2010, na biblioteca do Palácio do Alvorada, com a presença também de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff  e José Sérgio Gabrielli, na qual o então presidente da República foi expresso ao solicitar do então presidente da Petrobras [Gabrielli] que encomendasse a construção de 40 sondas para garantir o futuro político do país e do Partido dos Trabalhadores com a eleição de Dilma Rousseff, produzindo-se os navios para exploração do pré-sal e recursos para a campanha que se aproximava”.

Palocci disse ainda ao delegado Filipe Hille Pace, da Polícia Federal no Paraná, que aquela “foi a primeira reunião realizada por Luiz Inácio Lula da Silva em que explicitamente tratou da arrecadação de valores a partir de grandes contratos da Petrobras”.

Esta é a segunda vez que o encontro entre Lula, Dilma e Gabrielli volta a ser citado por Palocci. Em 2017, o ex-ministro falou sobre a reunião em depoimento ao juiz Sérgio Moro.

A delação do ex-ministro petista cita ainda outro episódio, em 2007, que envolve a nomeação de Jorge Zelada — indicado pelo MDB — para ocupar a diretoria internacional da Petrobras. Segundo o documento, o executivo fez um contrato de US$ 800 milhões com a empreiteira Odebrecht, que renderia US$ 40 milhões (5% do total) de propina.

Devido à “tamanha ilicitude revestida nele [contrato], teve logo seu valor revisado e reduzido de US$ 800 milhões para US$ 300 milhões”, complementa o documento.

Outro lado

O advogado de Antônio Palocci, Tracy Reinaldet, diz que “continuará colaborando com a Justiça, esclarecendo os fatos que são objeto do processo e apresentando suas provas de corroboração.

A defesa do ex-presidente Lula afirma que “a conduta adotada hoje pelo juiz Sérgio Moro [levantar o sigilo da delação] apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente Lula”.

“Moro juntou ao processo, por iniciativa própria (“de ofício”), depoimento prestado pelo Sr. Antônio Palocci na condição de delator com o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados, até porque o próprio juiz reconhece que não poderá levar tal depoimento em consideração no julgamento da ação penal. Soma-se a isso o fato de que a delação foi recusada pelo Ministério Público. Além disso, a hipótese acusatória foi destruída pelas provas constituídas nos autos, inclusive por laudos periciais”, acrescenta o advogado Cristiano Zanin Martins.

O defensor de Lula ainda critica a delação de Palocci.

“Palocci, por seu turno, mentiu mais uma vez, sem apresentar nenhuma prova, sobre Lula para obter generosos benefícios que vão da redução substancial de sua pena – 2/3 com a possibilidade de “perdão judicial” – e da manutenção de parte substancial dos valores encontrados em suas contas bancárias”, conclui.

O R7 tenta contato com a defesa de Dilma Rousseff.

Fonte: R7

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