Bob Dylan ganha o Prêmio Nobel de Literatura 2016

Bob Dylan ganha o Prêmio Nobel de Literatura 2016

Cantor e compositor americano foi anunciado nesta quinta-feira (13).
 ‘Criou nova expressão poética na canção americana’, dizem organizadores.

O cantor e compositor americano Bob Dylan, de 75 anos, foi anunciado nesta quinta-feira (13) o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2016. A escolha foi divulgada em um evento no salão da Bolsa da cidade de Estocolmo, na Suécia. Além do título, o artista, que é considerado um dos maiores nomes da música do século XX, receberá 8 milhões de coras suecas (cerca de R$ 2,9 milhões).

A secretária-geral da Academia Sueca, Sara Danius, declarou que Dylan, aclamado pelo lirismo de suas letras, foi escolhido “por criar uma nova expressão poética na tradicional canção americana”. Dentre seus temas, destacam-se religião, política, amor e a própria condição humana. Compôs clássicos como “Blowin’ in the wind”, “Subterranean homesick blues”, “Mr. tambourine man” e “Like a rolling stone”.

Ao longo de uma carreira que já dura mais de 50 anos, Dylan lançou diversos livros (veja lista abaixo). “Como artista, foi altamente versátil e trabalhou como pintor, ator e autor de roteiros”, lembrou a academia.

Embora seja reconhecido primeiramente como músico, e não como escritor, Dylan era cotado havia muitos anos para o Nobel de Literatura. Mas não estava entre os primeiros colocados nas bolsas de aposta para este ano.

Tanto na música como na literatura, foi fortemente influenciado por poetas do movimento beatnik e pelos poetas modernos americanos.

Seu primeiro disco, “Bob Dylan”, é de 1962. Entre trabalhos de inéditas, coletâneas e registros de shows, foram registrados oficialmente 69 álbuns (veja lista abaixo). O mais recente é “Fallen angles”, de 2016, no qual interpreta clássicos americanos populariados opr Frank Sinatra.

Já o primeiro livro foi a coletânea de poesias experimentais “Tarantula”, de 1971. Dois anos mais tarde, saiu “Writings and drawings”, em que havia textos e desenhos. Ele é autor ainda do best-seller autobiográfico “Chronicles : Volume One.”, de 2004. A ideia inicial é que autobiografia teria outras duas continuações, que ainda não chegaram a ser editadas.

No Brasil, foram traduzidos os seguintes títulos: “Tarântula”, publicado em 1986 pela editora Brasiliense; “Crônicas – Vol.1”, publicado em 2005 pela Planeta; “Forever young”, publicado em 2009 pela Martins Fontes; e “O homem deu nome a todos os bichos”, publicado em 2012 pela Nossa Cultura.

Perfil
Nascido Robert Allen Zimmerman em 24 de maio de 1941, em Duluth, Minnesota, nos Estados Unidos, Bob Dylan cresceu em uma família judaica de classe média em uma cidade mineradora. Na adolescência, tocou em diversas bandas, dedicando-se à tradição da música americana, especialmente ao folk e ao blues. Um de seus ídolos era o Woody Guthrie, um dos maiores nomes do folk.

Mais tarde, Dylan largou a faculdade e se mudou para Nova York onde se tornou famoso no início dos anos 1960, onde passou a tocar em casas de shows e cafés no famoso bairro Greewich Village.

Foi em seu segundo disco, “The freewheelin’ Bob Bylan”, de 1963, que o artista revelou seu talento como compositor – o álbum de estreia, do ano anterior, tinha somente duas canções originais. “The freewheelin'” tem a faixa que talvez seja o maior clássico de Dylan, “Blowin’ in the wind”.

Outros trabalhos marcantes foram “The times they are a-changin'”, de 1964, “Bringing It all back home”, de 1965, “Highway 61 revisited”, também de 1965, e “Blonde on Blonde”, de 1966, todos lançados em sequência. “Blood on the tracks”, de 1975, é outro dos destaques daquelas primeiras décadas.

Na turnê mundial de 1966, Bob Dylan deixou os fãs perplexos e causou polêmica ao “trair o folk”, trocando o violão pela guitarra elétrica. Chegou a ser chamado de “Judas” em razão da escolha. O material do período vai ser lançado em 36 discos na coletânea “Boby Dylan: The 1966 live recordings”, prevista para novembro.

Da fase mais recente, o perfil da Academia Sueca citou como “obras-primas” os discos “”Oh mercy”, de 1989, “Time out of mind”, de 1997, e “Modern times”, de 2006.

Dez vezes vencedor do Grammy, Bob Dylan já se reinventou por diversas vezes, assumindo as identidades de desafiador do pop, estrela do rock, poeta sábio e cristão missionário – ele se converteu ao cristianismo em 1979.

Em 2004, Bob Dylan eleito pela revista americana “Rolling Stone” o segundo melhor artista de todos os tempos, atrás apenas dos Beatles.

Fonte: G1

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